O que há de errado com o discurso social e a Justiça?

Primeira Parte: Preliminares…

Brasil – Junho, 2019.

Themis e sua balança da equidade…(???)

Quem se habilita a jurar sobre uma Bíblia, que sim, existe Justiça na sociedade humana? Deixemos de lado toda nossa histórica bagagem de experiência multinacional e detenhamo-nos a refletir sobre esta assertiva-desafio. Eis nossa proposta para este despretencioso arrazoado.

I

Desde os tempos primeiros da espécie humana – a partir dos vestígios dos primitivos primatas (algo em torno de trinta milhões de anos) [Lévêque, 1987:08] (hordas e aldeias da Idade da Pedra) – até os dias atuais, os hominídeos surgiram e foram se aperfeiçoando (sic) ao longo desse largo lapso temporal, até alcançar nossa classificação em vigência: Homo Sapiens Sapiens, no continente africano (isto, claro, condensando o longo trajeto histórico, para situar-nos em posição tal que possamos, sem delongas, abordar nossa temática principal).

“A linhagem dos hominídeos surge no continente africano. […] A necessidade de adaptar-se a um meio mais aberto teria posto em marcha o processo de humanização e diferenciado o ramo dos Australanthropos – precursores do Homo – o que dará lugar aos macacos superiores africanos, gorilas e chimpanzés”.

“Assim, pois, desde o princípio a história do homem é a história das suas faculdades (capacidades) de adaptação ao meio em que vive”. […] Logo surgirá o Homo Habilis – o primeiro com o prefixo “homo”. E há dois milhões de anos aparece o Homo Erectus [provavelmente a quem coube a invenção do fogo]. […] Há 100 mil anos surge o Homo Sapiens Neanderthalensis e por fim, a seguir, o Homo Sapiens Sapiens – a raiz dos nossos ancestrais.

Resumidamente, este seria o trajeto pré-histórico presumido dos nossos antepassados primitivos. Claro que há autores que divergem deste “roteiro”, mas, em largos traços, há poucas diferenças entre as grandes etapas da evolução humana. E tampouco é nossa intenção aprofundar o tema, mas apenas motivar o leitor a prestar a devida atenção ao comportamento do seu entorno humano (sejam parentes, amigos, colegas etc.).

II

Segunda-parte: Gravíssimo erro de projeto

Esse humano nada humano…

Dos conflitos interpessoais…

Os conflitos interpessoais existem desde sempre; fazem parte dos usos e costumes humanos desde priscas eras. São, em suma, fruto da livre expressão da característica principal do ser humano: seu livre arbítrio e sua liberdade de pensamento, expressão e ação (escrita, falada ou simbolizada por uma atitude que denota, conforme seja o caso em foco, desconformidade ou conformidade com a expressão de outrem).

Pode se afirmar sem qualquer temor que “ser humano” e “animosidade comportamental” são características intrínsecas à nossa espécie – acompanhada pelos estudiosos praticamente desde que ela existe. Daí a profusão continuada de embates beligerantes pelos mais variados motivos: conquista de espaços físicos para ampliar as áreas de influência de determinada tribo; asseguramento de fontes alimentares para subsistência; acumulação de poder representando um diferencial competitivo sobre as demais tribos; dentre tantos outros argumentos (alguns inócuos, outros torpes, outros ainda mal-intencionados e, por sobre todos eles, a supremacia da inveja, do ódio gratuito, da desmedida ânsia de poder pelo poder, o simples desejo de dominar por dominar, tornando escravos os povos dominados).

Pois bem. Desde esses longínquos tempos, o humano (descendente do Homo Sapiens Sapiens) primou por seus esforços predominantemente egocêntricos, desprezando o fator diversidade, isto é, que ele, como pretenso dominador da natureza e dos seus seres vivos, não passa em realidade de mais uma espécie com suas características diferenciadas. E mais: que, considerando-se a existência de incontáveis outras espécies de seres vivos que com ele coexistiam (e coexistem), deveria pautar seu comportamento com muito critério e respeito pelas demais espécies, dentro de uma certa harmonia existencial.

Todavia, na prática os registros históricos mostram uma inter-relação (entre o Homo e as espécies coexistentes) de constante conflito (lato sensu). Suas paixões sempre pareceram dominá-lo, sobrepondo-se à necessidade natural de um convívio de animosidade controlada, pacífica. Mahatma Ghandi (Mohandas Karamchand Ghandi [1869-1948]), festejado e laureado líder pacifista indiano, mentor e responsável pela independência da Índia, deixou para o mundo seu principal legado: a demonstração inequívoca de como sanar conflitos sem recorrer ao embate bélico (portanto, por vias pacíficas). A independência da Índia, até então sob jugo britânico, foi por ele conquistada de forma integralmente não violenta, registrada pela frase lapidar:

“Dominar as paixões mais ocultas me parece muito mais difícil do que conquistar militarmente o mundo com a força das armas” (Ghandi em “Todos os homens são irmãos” [SANTOS, 2003:13]).

Convenhamos, um pensamento-reflexão que bem mereceria ser transformado em dogma obrigatório a ser praticado por todas as nações civilizadas do mundo democrático. Não lhes parece? Pois é…

III

Terceira parte: o custo elevadíssimo de sermos humanos

Em que momento da nossa história, perdemos nosso rumo como espécie?

“O século XX foi o mais sanguinário dentre os registrados na história moderna. O número total de mortes causadas por (ou associadas às) guerras está estimado em 187 milhões, o equivalente a mais de 10% da população mundial de 1913. Se situarmos seu início em 1914, foi um século de guerra quase ininterrupta, e houve poucos e breves períodos em que não havia algum conflito armado organizado em alguma parte”.

Observem que apenas estes dados ora expostos já serviriam como indicadores mais que cristalinos sobre esse pesadelo cognominado de “política”. Sim, pesadelo, eis o adjetivo que melhor se adapta à realidade desse verdadeiro cancro social. Já veremos o porquê dessa assertiva, desde já ficando registrado que tal teoria é de nossa lavra e ainda não a submetemos aos necessários testes de re/ratificação que nos permitam afirmar ou negar, fundamentadamente e em bases científicas, sua veracidade ou falsidade.

A multidão sem rostosem passado… sem futuro…

Um simples raciocínio lógico, despretencioso, já seria o bastante para que um indivíduo de capacidade intelectual mediana compreendesse o verdadeiro significado das “multidões uivantes”. (J.Koffler, 1976)

Tentemos, agora sim, responder à questão formulada no título deste singelo arrazoado: O que há de errado com o discurso social? Em primeiro lugar, entendemos por “discurso social” todo e qualquer raciocínio desenvolvido para ilustrar determinada situação humano-ambiental, conferindo-lhe o status de verdade acatada e popularmente compartilhada, isto é, com validade assimilada e aceita pelo contexto social predominante (majoritário). Ilustrando com um pensamento da nossa lavra: “Não há político honesto; todos são corruptíveis em maior ou menor grau”. E como obrigatório complemento: “Todo indivíduo humano, em tese, está sujeito à corrupção; basta que o momento escolhido e a proposta aliciadora ocorram no timing certo” (J.Koffler – in: “O homem: esse projeto mal-acabado” – 1976).

Tal assertiva (a título de ilustração) é facilmente comprovável; basta observar o dia-a-dia de qualquer político para perceber que a honestidade é qualidade raríssima nesse meio, e mais: que a honestidade é incômodo óbice à persecução de objetivos que mantenham em grau elevado o “prestígio”, associado ao desempenho necessário daqueles que militam nesse restrito universo e almejam nele persistir e triunfar.

Um decano professor de Filosofia dos meus tempos de Academia, tinha o saudável costume de ingressar à sala de aula e, a título de introito, propor sempre uma questão (não raro, de teor polêmico), lembrando-nos: “Ao final da aula, lembrem que na próxima deverão me apresentar por escrito um resumo de análise crítica do texto ora entregue”. Creiam-me: tal tarefa era sempre prenúncio de um labor extenuante. Mas também trazia em si suas compensações que, a posteriori, iriamos penhoradamente agradecer. Penso que não seja preciso, por enquanto, dizer mais nada, pois não? No devido momento e num texto sequencial a este – caso realmente haja resposta positiva dos leitores que peçam dita sequência -, apresentarei minhas considerações e análise final sobre a presente discusão.. Cabe, agora, ao leitor tomar essa decisão: se deseja ou não saber da sequência deste singelo e despretencioso arrazoado.

Com a palavra, portanto, o leitor. A decisão está em suas mãos…

Bibliografia

HOBSBAWN, Eric. Globalização, A guerra e a paz no século XX” in: P. S. Mingotti, Globalização, democracia e terrorismo. 8 ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

LÉVÊQUE, Pierre. Las primeras civilizaciones: desde los despotismos orientales a la ciudad griega. Tomo I, Madrid: Presses Universitaires de France/Ediciones Akal, 1987.

SANTOS, Teresa Farnós de los. Las raíces psicosociales y culturales de la violencia. In: Revista “Documentación Social – Revista de Estudios Sociales y de Sociología Aplicada”. Madrid: Caritas Española Editores, 2003.

KOFFLER AÑAZCO, Juan Y. O homem: esse projeto mal-acabado. Tese.


	

Direito à Vida, Direito à Morte…


Albrecht Dürer (1513):
“Cavaleiro Guerreiro e a Morte”

Bom dia! Como início, proponho-lhes uma singela questão central que exige séria reflexão:

“Em algum momento de vossas vidas, já se defrontaram com aquela encruzilhada entre viver ou morrer e viram-se diante de um impasse nunca antes esperado? Sentiram-se perdidos, como se toda a natureza parecera estar, odiosamente, conspirando contra vossas existências?” (J.Koffler, in: “O inferno é na Terra”, 1983).

*

Se nunca experimentaram esta incômoda sensação, tenham absoluta certeza que ela ainda se apresentará em vossas vidas e – creiam-me – esse instante poderá ser “a mais amarga das tuas horas ou teu momento melhor” (frase lapidar de M. de Combi). A Ilustração que adorna este singelo ensaio é de Albrecht Dürer (1513), pintor, matemático, ilustrador e teórico de arte alemão, e representa a vida (cavaleiro guerreiro) e a morte cavalgando ao seu lado. Típica e milenar equação que acompanha o ser humano, bem como a todos os seres vivos do planeta: a íntima relação entre viver e morrer, atemporal e a-espacial. É disto que trata este nosso breve arrazoado.

***

1. Desde que existimos no planeta, todos os seres vivos compartilhamos por igual este bizarro paradoxo, com a diferença crucial de ao humano caber-lhe uma carga substancialmente maior de stress no que concerne à tal dualidade vivencial. Somos racionais e em razão de tal característica diferenciadora, carregamos um peso expressivamente superior (pelo menos, em tese) ao dos demais seres viventes ditos “irracionais”. Isto, a priori, parece-nos inerente à característica com a qual optamos por etiquetar nossa espécie: “um produto mal-acabado” (J.Koffler, 1976), quando em comparação com as demais que coabitam conosco. Tal postura possui uma razão para sua existência: nossa racionalidade confunde-se com um conjunto de sentimentos contraditórios os quais, por seu turno, provocam maior instabilidade físico-emotiva no caso humano. Colocando lado a lado um cão e um humano, por exemplo, observaremos que as reações de ambos são absolutamente distintas para casos críticos como o invasivo e intolerável câncer. O cão, quando acometido de doença terminal, isola-se, muda seus costumes e hábitos, como se a “preparar” sua partida sem retorno. Já o humano tem ao seu dispor incontáveis recursos que, na prática, variam segundo padrões puramente financeiros, expondo a nu uma característica deveras inumana e que determina “quem deve e quem não deve viver bem” – algo que, data vênia, nos parece altamente contraditório com todo o discurso humano ao longo da história -, exorbitando dos pretensos poderes que possuímos, quando em relação aos seres ditos “irracionais” e até aos nossos semelhantes.

2. Por que essa gritante diferenciação entre nós, humanos, e os seres ditos irracionais? Acaso haveria “determinantes” que a condicionariam em razão das respectivas posições que ocupam na escala biológica? Sim e não. “A natureza é sábia, perfeita em sua sabedoria, mas imperfeita em seu aprendizado” (J.Koffler, 1973). A natureza não apreende com os erros humanos, apenas os tolera ou menospreza, segundo seja o caso, mas neles não interfere. Eis aí – a meu ver – um erro “natural”. O humano é “naturalmente” contestador, perenemente insatisfeito, afoito em suas decisões, ausente em suas responsabilidades, pontual em seus desejos, volúvel em seus comportamentos, irresponsável em seu viver. Eis o motivo pelo qual enfrentamos tantos desafios às vezes inesperados e/ou indesejados, mas que em sua essência foram provocados apenas por nós.

3. Se, como exposto em “2”, somos qualificáveis como imperfeitos e irresponsáveis no seio natural e em relação aos nossos atos e decisões, questionamos algo que nos parece óbvio: “Por que, então, ainda existimos como espécie?” E complementando: “Se, como supra-afirmado, agimos sem responsabilidade em incontáveis ocasiões, que espécie de ‘perfeição’ é essa a nós atribuída, a ponto de nos situar no topo das espécies?” Retirando por completo deste âmbito paradoxal a existência de um “ser superior” (sic), não estaríamos apenas ratificando que somos a espécie mais imperfeita no âmbito natural – contradizendo frontal e ostensivamente todas as crenças que nos atribuem uma posição ‘privilegiada” na pirâmide natural e, por sua vez, condenando-nos à “la dernière position” da escala biológica? Há, sem dúvida, um substancial volume de petulância em nossos livros escolares…

4.- EPÍLOGO “I” – Todo o largo e pomposo volume de determinantes éticos que regem a existência humana funda-se em princípios teóricos louváveis aos olhos e horizontes estreitos da larga massa popular terráquea. Em nenhum momento, os doutos filósofos, sociólogos e estudiosos em geral, ao longo dos séculos, se detiveram para, de maneira isenta e impessoal, servirem-se da empatia para experimentarem, em carne própria, suas mirabolantes elucubrações criativas. Isto parece-me, data venia, insofismável. Dentre essas “criações fenomenais”, algumas destacaram-se (e assim seguem) em razão da sua ousadia, petulância, irresponsabilidade, desprezo pelo “respeito à vida humana” (lato sensu). Em termos práticos, aplicados a título de mera ilustração às complexas questões das Ciências Jurídicas, os insignes e festejados doutrinadores criaram volumosos manuais normativos sem que estes em nenhum momento, viessem a sofrer uma “prévia avaliação” em estrito sentido prático, com o fito de verificar e ratificar (ou, “in casu”, retificar) se, efetivamente, estavam trilhando o rumo certo. Típico comportamento humano que atravessa, incólume, os milênios, passando ao largo de sensíveis detalhes (aparentemente inócuos) que, em realidade, poderiam trazer em si explosiva carga desagregadora. Deveras um verdadeiro paradoxo inerente ao caráter e personalidade do que conhecemos como “Homo Sapiens”. É a partir desta constatação (e com fulcro nela) que começamos a deslindar o complexo tecido que compõe a sociedade humana… Uma verdadeira aventura… em areia movediça

Regras, contrarregras, antirregras…

O complexo (mastondôntico e intrincado) arcabouço legal historicamente notabilizou-se por prolixos, pomposos e rebuscados textos, como se a buscar atenção redobrada do leitor, impondo aos próprios operadores do Direito toda uma ciência paralela para sua interpretação: a Hermenêutica Jurídica. A esta cabe-lhe a complexa e delicada tarefa de deslindar o pensamento e a intenção do autor, em seu sagrado ato de proferir um determinante de cunho normativo-legal. Bom, “sagrado” em termos, pois, sabido é, o legislador pátrio (e seus congêneres mundo afora) atua(m) de acordo com um diversificado emaranhado composto de interesses de terceiros que nada têm de aderência aos temas sobre os quais legisla, mas sim, que em realidade estão mais alinhados com interesses (não raro) escusos de terceiros. Algo que já tipifica de longas eras nossa politicalha (nacional e forânea).

Neste emaranhado normativo, eivado de nomenclaturas pomposas, observa-se que, inserido nele, vem disfarçado em seu bojo um “pacote de surpresas” que, com o andar da carruagem governamental, irão sendo expostas “a conta-gotas”, a fim de que causem o menor impacto possível na sociedade, costumeiramente alienada e alheia às verdadeiras realidades da pátria. Esta autêntica sucessão de “tramoias”, perpetuadas ao longo de sucessivas equipes de governança, acabam confundindo e tornando realmente impossível uma plena compreensão social dos mandamentos que a tutelam. Em termos práticos e enxutos: governança política hoje  confunde-se com maquinações de cunho criminoso de lesa-sociedade e de lesa-pátria, entre quatro paredes. Nem mais nem menos.

Pois bem. Dentre as incontáveis absurdidades que poluem nossos Côdigos Normativos Legais – verdadeiras colchas de retalhos – há ditames que sobressaem em razão dos seus estapafúrdios conteúdos. Uma destas excrescências jurídicas (como as denomino de há longa data), reside na indevida interferência estatal em foro íntimo do cidadão. Refiro-me, em específico, ao direito de viver e de morrer, inerente à pessoa humana. Observem este emblemático trecho (dentre incontáveis outros) cunhado pela Liga Espanhola Pro-Direitos Humanos, verbis:

“Um dos paradoxos da medicina moderna é que, em nossos dias, os avanços da  tecnologia podem prolongar a vida muito além do  seu prazo natural. Ainda assim, o sofrimento e a dor seguem sendo  patentes na realidade cotidiana e  acompanham, configuram e determinam a vida de  todos os seres humanos”.

“Nenhum temor é tão horroroso como o medo à cruel doença, à invalidez e dependência constante, ao sofrimento dos seres queridos nos estágios terminais da vida” (RODRIGUEZ, 2018).

Verdade absoluta, contida neste último parágrafo. Surge-nos, então, uma pertinente (e clássica) questão: que se entenderia por “suicídio como  melhor e derradeira solução”? A priori, “melhor solução” é questão específica de foro íntimo, i.e., cada indivíduo pode ter sua própria percepção de “melhor solução”, que, por exemplo, não se enquadre na necessidade de outrem. Portanto, sua compreensão abrange amplíssimo cabedal de hipóteses possíveis, constituindo-se em medida de foro íntimo, personalíssima, tornando a amplitude do conceito em imensurável. Outra questão, todavia, persiste: quem pode garantir que o “momento de decisão”  seja o correto? Em suma, são tantas as variáveis quanto o número de viventes há sobre o planeta. Mas – sublinhe-se duplamente – nada disto inviabiliza o uso de tal solução, de cunho estritamente íntimo.

Raciocinemos, então: (a) Sócrates, personagem relevante da história romana antiga, se suicidou (com cicuta) em defesa da sua honra e dignidade; (b) entre os esquimós, o suicídio era considerado um ato virtuoso; (c) já entre tribos nômades, o suicídio dos mais velhos era considerado um ato honroso, pois propiciava à tribo o deslocamento mais célere; (d) na Roma e na Grécia Antiga, militares se suicidavam antes de ter que render-se ao inimigo, o que era considerado uma alta honra; (e) na Palestina, por ocasião do sítio de Masada (séc. V e VI), perto de mil judeus religiosos se suicidaram ante a iminente rendição às forças romanas (DRANE, 2006, p. 207). Em suma, não há negar-se que a figura do suicídio sempre esteve presente ao longo de toda a história humana. Explicar tal comportamento e fundamentá-lo, considerando-se a natural complexidade humana, parece-nos um desafio invencível, convenhamos.

Sempre houve e assim seguem ocorrendo ainda em nossos dias atos de  sacrifício da própria vida em benefício de outrem: bombeiros que arriscam suas vidas no salvamento de potenciais vítimas; motoristas que colocam sua vida em jogo ante a iminência de atropelamento de humanos e animais ou que arriscam suas existências em defesa dos seus semelhantes, em situações de alto risco (humanismo); pais que defendem seus rebentos, esposas etc., quando em grave situação de perigo; e inúmeras outras situações em que um humano se dispõe a morrer, a fim de defender outrem. Por que não, então, o humano – ser livre e independente – usar do seu direito de libre arbítrio para fazer cessar seu sofrimento, seja este qual for? Aqueles que se opõem, ostensivamente, a tal direito (inegável, inegociável, inerente à existência humana), atuam motivados por um alto teor de hipocrisia e total ausência de empatia com seu semelhante; eis uma verdade insofismável.

A questão ética filosófica

Convenhamos desde já: “Nem toda convenção criada pelo humano atende estritamente ao aspecto ético. Diríamos até mais: muitas das convenções humanas são ostensiva e flagrantemente atentatórias à ética, embora persistam em validade e sejam ‘pacificamente deglutidas’ (e até aplaudidas, saliente- se). É uma questão que eu decidi cognominar, conscientemente, de ‘hipocrisia dolosa’, sugerindo até, que componha o rol dos crimes capitulados contra a pessoa humana” (J.Koffler, 1983). Neste sentido, ainda, permito-me compartilhar com o leitor um esclarecedor trecho de texto do imortal Victor Hugo, que assim reza, verbis:

O sofrimento do Hipócrita

“O odioso da hipocrisia começa obscuramente no hipócrita. Causa náuseas beber perpetuamente a impostura. A meiguice com que a astúcia disfarça a malvadez repugna ao malvado, continuamente obrigado a trazer essa mistura na boca, e há momentos de enjoo em que o hipócrita vomita quase o seu pensamento. Engolir essa saliva é coisa horrível. Ajuntai a isto o profundo orgulho. Existem horas estranhas em que o hipócrita se estima. Há um ‘eu’ desmedido no impostor. 0 verme resvala como o dragão e como ele retesa-se e levanta-se. O traidor não é mais que um déspota tolhido que não pode fazer a sua vontade senão resignando-se ao segundo papel. É a mesquinhez capaz da enormidade. O hipócrita é um titã-anão” (Victor Hugo, in ‘Os trabalhadores do mar’). . 

Disponível em: <http://www.citador.pt/textos/o-sofrimento-do-hipocrita-victor-hugo&gt;. In: “Citador” – 2003-2019.

Que belas e emblemáticas palavras do imortal Victor Hugo! “O hipócrita é um titã-anão”! Existiria uma figura de linguagem mais adequada a representar essa “sub-classe” que parece agigantar-se à medida em que os séculos transcorrem? Penso que não há. Decididamente, a sociedade humana caminha em franca direção transversa à dos seus verdadeiros e obrigatórios objetivos. A hipocrisia ultrapassou em largo trecho o comportamento ético, distanciando-se cada vez mais do claudicante “Welfare State”. Se tivéssemos que etiquetar e condenar nossa sociedade hodierna, quiçá nos coubesse destiná-la, merecidamente, ao oitavo  círculo/sexta subdivisão da imortal obra de Dante Alighieri,  “O Inferno” (Séc.XIV). Sem dúvida, nesta posição estaríamos sendo mais que justos com ela, não lhes parece?

Observemos ainda outro aspecto que consideramos emblemático: por que  a hipocrisia humana “popularizou-se”, tornou-se “usos e costumes”  pacificamente aceitos e assimilados por “gregos e troianos”? A resposta parece-nos mais que óbvia: porque os padrões educativos (primeiro na base da família e logo no entorno social e, em concomitância, na própria escola) banalizaram-se. O respeito na relação “docente x discente”, em todos os níveis de ensino, praticamente não mais existe (pelo menos, não como era em outras épocas): “alunos e pais pensam que têm o poder de reverter todas as decisões da escola […] negar a autoridade em nome de igualdades forçadas conduz à hipocrisia nas relações humanas” (CONTE, 2009:45).

Em suma, sejamos sinceros: todas as formas de relação banalizaram-se, a ponto de, literalmente, hoje estarmos ante uma sociedade “a la carte”. Algo que necessariamente remete o indivíduo mais atento a refletir, seriamente, sobre uma crítica questão humanista: aonde pretendemos chegar por esta inusitada, perigosa e sinuosa senda?

Direito à vida, Direito à morte…

“Orcas em cativeiro podem desenvolver comportamentos repetitivos como bater-se contra os lados dos tanques e romper-se os dentes” (e até suicidar-se em razão do alto stress).
In: Melissa Hogenboom – “Realmente hay animales que se suicidan? – BBC Earth/BBC News: 2016.

Muitos leitores, sabendo da minha denodada e histórica dedicação aos animais desde criança, vez ou outra me questionam: “Os animais se suicidam? Respondo-lhes, firme: “Sim! Quiçá não segundo determinantes adstritos aos seres humanos, mas sim se suicidam diante de situações de elevado stress que os induzem a esse derradeiro recurso a fim de fazer cessar seu sofrimento. É o caso típico do escorpião que, quando cercado por um círculo de fogo, pica a si mesmo, dentre outros”. Este tema ainda é controverso e possui quiçá maior volume de teorias do que de teses cientificamente fundamentadas. Há que se considerar, ainda, que o suicídio (sentido lato) não necessariamente é um ato agressivo contra si (o suicida), mas sim pode também ser um ato de deliberado menosprezo por si, “deixando-se morrer”. Afinal, o efeito morte é o mesmo, pois não?

Avancemos um pouco mais, mas sem alimentar intenções de aprofundamento nesta temática tão crítica, delicada e complexa. Apenas façamos uma análise superficial que nos permita desenhar um cenário o mais próximo possível da realidade. Eis nosso intento. Uma observação pertinente e que merece ser levada a sério, por um singelo motivo (uma confissão pura sem traços de alarmismo ou de sensacionalismo): eu sou um potencial suicida de há longa data, já tendo falhado em pelo menos duas tentativas, malsucedidas. Portanto, sei muito bem do que estou falando, acreditem.

Filosofemos um pouco… Cada indivíduo é um mundo à parte, afirma o velho chavão popular, e assiste-lhe toda razão nesta assertiva. Cada ser humano é uno, indivisível, estruturado geneticamente com sua própria bagagem identitária, fruto dos seus ancestrais. Mas também traz em si suas próprias características (ostensivas ou “potenciais”) que, segundo determinantes hereditários e também aprendidos, se desenvolvem ao longo da vida em razão de diversos fatores (endógenos e exógenos) que compõem seu habitat. Daí é que nascem suas ditas tendências: à música, a determinadas artes, à passividade, à agressão, à introversão, à extroversão, à autodestruição etc.

Saliente-se: nem todos os indivíduos possuem consciência das suas tendências. Há aqueles que – como em meu caso – em determinado momento já experimentaram uma tendência latente e, assim, tomaram conhecimento desta, permitindo-lhes que (a gosto) a tratassem ou simplesmente a ignorassem. Certamente que os que optaram por tratar tal anomalia, assumiram uma posição inteligente, profilática, não sendo o caso dos outros que simplesmente a desprezaram ou menosprezaram. Estes posicionamentos distintos fundam-se em variadas fontes e, desde que detectados, podem ser cruciais para o tipo de futuro que o indivíduo deseje para si.

Mas, atenção: neste particular caso, a opção de cada indivíduo reside em seus próprios fundamentos (naturais e apreendidos). Há indivíduos que são naturalmente autodestrutivos (Síndrome de Borderline) e há aqueles que, ao contrário, alcançam esse ponto-dilema em razão de diversos fatores: educação, experiências de vida, hiper-sensibilidade social. Acredito que este que vos escreve esteja situado no primeiro grupo.

*

Falemos de mim a título de esclarecimento (numa espécie de exemplo-ilustração). Sou um indivíduo extremamente sensível (lato sensu) e assim me reconheço desde que tenho o comando da minha existência. Principalmente, em qualquer episódio em que estejam envolvidos animais ditos irracionais; não necessariamente apenas os domésticos (gatos, cães, passarinhos etc.), mas em sentido lato. Não tolero violência ou maus-tratos infligidos a eles, de qualquer espécie e por qualquer motivo. Em suma, se um humano traz ao seu encargo, por vontade própria, um animal (seja qual for), assume de imediato e sem necessidade de ter isso em papel passado, a responsabilidade e a obrigação de zelar por ele no mais amplo e abrangente sentido (alimentação, carinho, cuidados especiais, doenças, acidentes etc.), tornando-se responsável por seu bem-estar até que feneça.

“A violência ‘gratuita’ (sic) do humano é a demonstração mais vil, mais asquerosa, mais dissonante, mais covarde, que agride frontalmente os princípios mais primitivos do humanismo. Seja contra o próprio humano ou contra as demais espécies que com ele convivem na natureza” (J.Koffler, in: “O Homem: esse projeto mal-acabado”, 1976).

Qual seria a causa mais provável deste “defeito de fábrica”? A meu ver, não tenho qualquer dúvida que deve-se a um “erro de projeto”, o que, em princípio e considerando-se a magnitude e a “fonte” desse projeto, não sinaliza a mínima possibilidade de possível “conserto”. Assim nasceu e assim desaparecerá da face do planeta (se é que isto vier a ocorrer)…

Permitam-me explicar-lhes minha teoria (em rápidos traços):

(1) As teorias centrais e mais festejadas que dão conta dos toscos registros dos primeiros hominídeos [em tese, nosso ancestral mais primitivo] remontam a algo como 2 milhões de anos, com base em vestígios escassos localizados no continente africano. Primeira questão: e anteriormente a estes registros, de onde eles surgiram? Sim, porque se surgiram é porque vieram de algum lugar, não nasceram apenas do nada. Haveria que haver (como no caso de uma planta, de um vegetal), uma semente que lhes deu vida. Que espécie de “semente” era essa? Qual era sua origem? Onde surgiu? Como chegou ao continente africano? Questões pertinentes, pois não? Só uma “semente divina” (sic) para provocar tal milagre, que é o que, na história cristã, ocorreu (nem é preciso aprofundar tal tema, visto ser por demais conhecido através do largo acervo bibliográfico do credo cristão). Segunda questão: Em aceitando-se que a origem do terráqueo tenha vindo do espaço exterior (espécie alienígena), por qual(ais) razão(zões) foi(oram) mantida(s) em absoluto segredo, até o presente? “An so on” (e por aí vai), como se diria em Inglês. Sinceramente e desde minha juventude, nunca “comprei” a história cristã – e observem um paradoxo: estudei todo o grau primário em colégio Salesiano em regime de semi-internato. Nunca “engoli” dita pílula e, desde já, reforço minha convicção: sou absolutamente agnóstico e ateu desde minha infância – embora seja de família tradicionalmente católica.

Mutatis mutandi, permito-me concluir que a história humana é uma grande farsa, alimentada e realimentada através dos milênios, durante os quais, em grande parcela em função das religiões e crenças primitivas – associadas à ignorância humana – construiu “sua própria e tosca versão” que lhe permitisse sustentar, por decorrência “natural”, todo o restante do arcabouço abominavelmente lendário de nossa espécie (J.Koffler, in: “O Homem: esse projeto mal-acabado”, 1976).

Em Balneário Piçarras (SC), 08 de março de 2019, 19:44 h.

REFERÊNCIAS

CONTE, Sueli. Bastidores de uma escola: Entenda por que a interação entre a escola e a família é imprescindível no processo educacional. São Paulo: Editora Gente, 2009.

DRANE, James F. Medicina más humana. Una bioética católica liberal. Bogotá: Sociedad de San Pablo, 2006.

HOGENBOOM, Melissa. Realmente hay animales que se suicidan? Disponible en: <https://www.bbc.com/mundo/vert-earth-36819082&gt;. Acceso en: Mayo.2017.

KOFFLER, Juan Y. O Homem: esse projeto mal-acabado. Tese Acadêmica. Brasil: 1976.

RODRIGUEZ, Francisco José Alonso. El derecho a vivir y  morir dignamente. Madrid (Espanha): Liga Española Pro-Derechos Humanos, s/d.

VICTOR HUGO. Os trabalhadores do mar.
Disponível em: <http://www.citador.pt/textos/o-sofrimento-do-hipocrita-victor-hugo&gt;. In: “Citador” – 2003-2019.

De “Causos” e “Coisas”…

Em 20/01/19 – 10:25 AM

Um breve ensaio sobre “causos” e “coisas” que sempre inquietaram minha castigada alma…

Infelizmente, nasci assim… Não foi minha escolha (como a nenhum ser humano lhe é permitido escolher certas condições) e – hoje percebo muito bem isso, aliás de há 60 anos (quando tinha apenas 11 anos) – nunca seria, se considerada minha longa experiência como “humano” racional e inteligente.

Uma primeira (e trágica) constatação-questão: Por que “festejam” tanto o fato de o humano ser “racional e inteligente”, atribuindo a estas características biopsicológicas (em relação às demais espécies, ditas “inferiores”[sic]) uma condição de “diferencial competitivo”?

Que parte é essa que eu, em meus 73 anos (muito bem vividos, diga-se de passo), não consigo compreender, assimilar e – o que é muito pior – acatar como verdadeira? Onde residiria esse “diferencial” que, na vida prática e em comparação à irracionalidade animal, nos faz supostamente merecedores de ocuparmos o ápice dessa tal “pirâmide” (sic)? Sincera e humildemente, curvo-me ante minha ignorância e confesso nunca ter entendido tal “diferencial” (sic). Observem, analisem e constatem:

  1. Relações familiares – Consideremos um cenário atual. No período compreendido entre o nascimento do novo indivíduo e sua puberdade, praticamente todos os costumes e regras educativas (em sentido lato) emergem de fontes distintas (progenitores, parentes próximos, professores, relações externas [amigos, colegas, vizinhos] e outros). Imaginem, por um fugaz instante, como deve reagir a mente deste novo ser em formação! Consoante minha humilde sensibilidade, deve ser algo mui semelhante ao caos mental. Noutros termos, a “construção” de conceitos básicos do novo ser advém de uma verdadeira miscelânea de fontes, geradas por diferenciados conhecimentos, sensações, sentimentos, revoltas, depravações, “you named!” (diríamos em inglês, a fim de mostrar o imponderável). Algo deveras inusitado!
  2. Portanto, deste inextricável cenário surgem os fundamentos que permitem reafirmar a teoria preponderante e histórica, que determina em frias palavras: ***quem “forma” o indivíduo não é exatamente  sua família, sua educação parental e sua educação formal, mas a sociedade em que está  inserto, desde que nela aparece (nascimento) e dela participa, até que dela desaparece (morte). Algo que me parece, sinceramente, incontestável.
  3. Outra constatação que, usualmente, soi ser menosprezada: a partir do momento em que o novo  ser passa a integrar-se em sua micro-sociedade  (lá pelo jardim de infância), grande parte das lições  educativas começam a ser “naturalmente”  contestadas mediante a contraposição de outros  “perfis educativos” com os quais o novo indivíduo passa a compartilhar suas experiências. Uma  espécie de “desafio” à educação parental, colocando-a à prova das naturais interferências externas que,  a partir daí, ocorrerão cada vez com maior  frequência e poder de influenciação.

 “Assim, a “construção” de um novo ser, ademais de  constituir-se num agregado de características  provenientes da sua formação genética (paternal-maternal-familiar), carrega em si um volume  substancial de interferências externas (muitas não  desejadas) imponderáveis e de difícil manipulação.  Fator que dificultará, já num futuro próximo do novo  ser, sua mais perfeita adaptação ao mundo que o  rodeia”.

(Todas estas citações são retiradas de estudos do autor J.Koffler).

A título de inferências finais…

Ninguem me fará acreditar, nunca, na estória de um “ser superior. E, acreditem-me, isto tem me trazido alguns inconvenientes e “caras feias” (principalmente como professor do segundo e terceiro graus). Mas, como meus meio de subsistência não advêm dos bolsos da sociedade, mas sim do meu próprio esforço e suor, não tenho com que me preocupar.

Alcancei meu patamar de septuagenário por minhas próprias pernas e capacitações. Não por “milagres” nem rezas continuadas; tampouco por devoção a qualquer “deus” (ou por falta de devoção). Se estou no patamar sócio-econômico que ocupo é em razão única e exclusiva dos meus próprios erros e acertos; admito-o e sinto-me muito bem por isso.

Mas há algo que, sim, me incomoda muito e sempre me incomodou, desde que ainda era criança: ***os claros sinais de marginalização que certas parcelas da sociedade têm me demonstrado ao longo de toda  minha existência; algo sinceramente inexplicável e  incompreensível. Bizarro, até. Mas, assevero-lhes, nunca  passou disso: mero e passageiro incômodo.

Primeiro, porque tal postura discriminatória é idêntica à que se demonstra, por exemplo, por pessoas de cor, ou de outras nacionalidades, ou “baixinhas”, ou “gordas”, ou “ignorantes”, ou gagas, ou surdas, ou mudas, ou homossexuais, ou mancas, e por aí vai. Atribuo a estas posturas discriminatórias a “qualidade” (sic) de “ignaras”; simples assim. São, enfim, posturas que não merecem mais do que breve comentário depreciativo.

Sou radicalmente contrário à existência de uma classe política” e explico o porquê:

  • “Político” não constitui “classe”, simplesmente porque não cumpre qualquer pré-requisito (qualquer um pode fazer parte); daí que a “liberdade” em se ocupar um lugar/cargo político pode tanto ser de um marginal (enrustido ou ostensivo), um embusteiro nato, um mal-intencionado, um ignorante por natureza, um interesseiro sem qualquer espírito cívico e patriota; e por aí vai. Ao não se pré-determinarem qualidades, expertises, perfil psicossocial, dentre outras características personalíssimas que fundamentem sua escolha, cai-se literalmente na vulgarização da posição, retirando-lhe qualquer valor que a faça “honorável” (como se pretende, em tese, que seja).
  • Historicamente observado, a libertinagem que vige nesse ambiente e o perene conluio que o acompanha como pano de fundo, tornam esse “estrato social” um legítimo “poço escuro e sem fundo” que, ao longo da sua milenar existência, sedimentou-se sem qualquer normatização que o valha como tal. Depreende-se daí que o conceito (e a posição) de político são fundamentados apenas nas próprias crenças e valores vigentes entre seus componentes. Noutros termos, diferentemente de toda classe social profissional, a classe política aceita qualquer candidato, independentemente de  sua “folha corrida”, do seu histórico pessoal, dos seus feitos pregressos que o qualificam como cidadão  exemplar, do seu expertise técnico-científico em  determinados temas e qualificações, do seu histórico de contribuição concreta para o bem social.
  • A permissividade social que caracteriza o grupamento humano em sentido lato, associada a uma cultura cada vez mais paupérrima; a uma ostensiva deterioração dos valores mais primários; à própria desagregação social (a partir do seu núcleo básico, a família tradicional); à deterioração cultural em todos os níveis; ao processo crescente de desagregação familiar; ao crescimento ostensivo dos padrões de mercantilização humana (“todo homem tem seu preço; a questão é descobrir  qual é”); à fluidificação das relações sociais (“sociedade líquida” – Sygmunt Bauman); dentre tantas outras novas características de nossa sociedade terráquea, apontam apenas para um inevitável destino: a implosão da sociedade  humana.

Claro que um processo de implosão social não ocorre assim ao bel prazer nem à hora que alguém determine aleatoriamente. Tal processo, em realidade, já se iniciou há bastante tempo e segue seu curso firmemente determinado a concluir-se. Seja em razão de um desastre ecológico de proporções gigantescas; de um conflito bélico mundial (desta feita, atômico e finalístico); de uma conjugação de pragas; de uma associação entre a contaminação de fontes alimentares e aquíferas, com poluição fatal da atmosfera (ar respirável); ou ainda – e bastante provável – do somatório de dois ou mais destes fenômenos.

Não pensem, todavia, que isto tenha data e hora marcada para ocorrer. Mas façam um exame simplório e nada científico, acessível a qualquer indivíduo que seja minimamente aculturado, e constatarão como é claramente viável e mais que possível que isto ocorra. A qualquer momento. Motivos sobram e acumulam-se à medida em que transcorre nosso “cronômetro vital”.

Tic-tac… tic-tac… tic-tac… Quem viver até lá, infelizmente verá e sentirá na própria pele…

Tenham todos uma ótima semana!

OUTRO “MURO” MARXISTA QUE COMEÇA A DESMORONAR…

“Estamos às portas de uma mudança dramática do cenário político e diplomático mundial. Aproximam-se turbulências. Porém será a primeira vez em muito tempo que um bloque sólido de países enfrenta o muro do marxismo cultural imperante em eixos fundamentais”.

Por: Carlos Polo – In: “Actuall”– 04/12/2018

Tradução-versão por: Juan Koffler (Blumenau/Brasil)

“Assim como ninguém esperava a queda do Muro de Berlim, símbolo do ostensivo poder soviético marxista da segunda parte do século XX, hoje pode dar a impressão de que o marxismo cultural imperante em quase toda Europa e América está em trajetória rumo ao seu colapso. Porém há que reconhecer-se que muitos feitos políticos recentes estariam pressagiando esse caminho de dissolução. O cidadão comum está farto da corrupção e pobreza em que costumam terminar os socialismos de Estado, assim como da chocante incoerência de seus líderes, que soem ver a realidade de uma maneira rígida e assim procuram impor a todos os demais.

Em 9 de novembro de 1989 caiu o primeiro muro, o de Berlim. Decorridas quase três décadas, um complexo sistema de contenção de 155 quilômetros de concreto e vigas de aço reteve pessoas que pugnavam por libertar-se da opressão marxista. De nada valeu a retórica de dirigentes do império soviético em fazer acreditar ao mundo que seu sistema funcionava e tornava as pessoas mais felizes. Cercas de arame [farpado], fossos, minas [explosivas], cães e guardas que atiravam para matar falavam mais forte. A rota de fuga tinha apenas um sentido. E [este] não era em direção ao que pregava o marxismo. Era, antes, fugir de tudo isso,ainda que às custas da própria vida.

Porém, a queda desse primeiro Muro não foi, como alguns imaginaram, o final do marxismo. Conforme se derrubava, outro “muro” ia sendo construído, também sob a marca marxista, porém muito mais sutil. Este não é de concreto, mas similarmente retém e restringe a liberdade. E provavelmente o esteja fazendo de maneira mais eficiente. É o “muro” do marxismo cultural, esse que já não procura o controle dos meios de produção material, como o propunha Karl Marx, mas sim a forma de pensar das sociedades. Construído por Gramsci, Lukács, Kojève, Adorno e Marcuse, entre outros, o muro do marxismo cultural busca o controle dos meios de produção intelectual. Aprisiona as mentes controlando o discurso público e o “politicamente correto”: quem se expressa diferente é duramente castigado.

Pacientemente, durante anos os arquitetos do marxismo cultural foram se apoderando dos meios de comunicação e as universidades com dito propósito. Haviam descoberto algo que Marx nem sonhava: controlando o discurso e a agenda na esfera pública podem controlar a vida social de maneira muito mais eficiente que pelo controle econômico. Este autêntico “muro mental” penetrou na cultura e nas instâncias de poder locais e internacionais, estendendo-se do público aos âmbitos mais privados como a família e a asexualidade, a fim de controlar a tudo e a todos. Sua eficiência tem-se pautado até agora em convencer a gente do que eles desejam, sem que a maioria sequer suspeite que está sob seu domínio. Jogam com a ilusão de conceder “direitos” e “liberdades” a cidadãos, porém como contrapartida exigem o reconhecimento do poder absoluto, disfarçado de “normalidade”. Os poucos que percebemos que alguma coisa não anda bem sentimos que é tão poderoso esse aparato que nunca irá cair, que só pode acumular mais e mais poder, enquanto nos confina ao novo ostracismo que se denomina “irrelevância”, mediante palavras-amuleto como “ultra” ou “…fobos”. E, contudo, este muro do marxismo cultural está começando a desmoronar, por mais que para muitos pareça tão intransponível e indestrutível como aquele primeiro Muro, na década dos 80’ s.

“The right is cool again”… também em Espanha. O muro se esfacela e não pela ação da ultra direita, como afirmam os jornalistas tratando de menosprezar o fenômeno, mas porque a gente está cansada do experimento da esquerda.

Os fatos vão se acumulando: o Brexit, o NÃO ao capcioso acordo de paz de Colômbia com os narco-guerrilheiros das FARC, a eleição de Donald Trump, o trunfo de Viktor Orban como primeiro-ministro de Hungria e a exclusão de “estudos de gênero” em universidades, a derrota da legalização do aborto na Argentina, a eleição de Jair Bolsonaro como presidente do Brasil, são apenas alguns.

[…]

Em todos estes fatos há uma constante: o marxismo cultural é o establishment que perde mesmo usando todo o seu poder para vencer ao opositor que o desafia. E perde contra todos os prognósticos dos guardiães mediáticos e políticos de seu discurso público. Trunfa o opositor ao marxismo cultural que enfrenta a todo um aparato de poder, e ganha inclusive com muito menos recursos econômicos e contra a ação hostil e militante da imprensa.

“A serpente do marxismo original e ortodoxo deixou a pele e muitíssima gente ficou olhando a pele vazia, pensando que essa ‘falsa serpente’ não deveria chegar ao poder. Enquanto isso, a verdadeira serpente, com outra pele, estava se convertendo em seu tirano”.

Por que? Porque o discurso do marxismo cultural promete muito e concretiza pouco. E o pouco que concretiza é exatamente o oposto ao prometido. Os políticos que chegam ao poder prometendo acabar com a pobreza tornam-se extremamente ricos com todo tipo de corrupção e abuso de poder. Os paladinos da liberdade sexual de gênero convertem-se nos piores ditadores do pensamento único LGTBI, perseguidores de todo dissidente. As feministas acabam convertendo as mulheres na versão feminina dessa parte dos varões que todos detestamos: a do macho irresponsável e egoísta. Quanto mais poder acumula e mais longe leva suas reformas, as contradições tornam-se mais flagrantes e menos toleráveis para a cidadania. O desencanto pouco a pouco se transforma em rejeição e logo em subversão.

Faz poucos dias, o diplomata Ernesto Araújo, anunciado como futuro ministro de Relações Exteriores de Brasil, declarava que a missão que recebeu é acabar com todas as formas ideológicas do marxismo cultural, com qualquer dos seus nomes (gênero-diversidade sexual, ecologismos, feminismos, multiculturalismos, teologia da libertação etc.). Araújo desnuda magistralmente a confusão de muita gente que ao rechaçar o “comunismo”, tem apontado todo o tempo a um monstro que já mutou (grifos no original). A serpente do marxismo original e ortodoxo deixou a pele e muitíssima gente ficou olhando a pele vazia, pensando que essa “falsa serpente” não deveria chegar ao poder. Enquanto isso, a verdadeira serpente, com outra pele, estava se convertindo em seu tirano. A a nova esquerda que nunca abandonou seus princípios e praxis de luta de classes, apenas transformou seu discurso e soube como controlar a agenda pública. É a “nova esquerda” muito bem descritas por Agustín Laje y Nicolás Márquez em seu livro que há meses tem categoria de best seller.

2019, um ano chave

Porém Araújo tem tudo muito claro. Chama poderosamente a atenção sua lucidez para detectar a verdadeira serpente e sua determinação para combatê-la. E sem dúvida, esta guerra declarada ao marxismo cultural decantará em múltiplos cenários políticos. 2019 será um ano particularmente chave para a política internacional e local: tudo aponta a que muitas coisas aconteçam durante os próximos 365 dias.

Por exemplo, a posição do Brasil na ONU dará um giro de 180 graus com Araújo, Araujo, um homem que nunca escondeu sua admiração por Donald Trump. Recordemos que Bolsonaro anunciou seu desejo de retirar-se da ONU e que a embaixadora dos Estados Unidos, Nikki Haley oficializou a retirada de seu país do Conselho de Direitos Humanos, qualificando-o de cloaca e aos seus membros de hipócritas. Para aqueles que como nós têm estado nos corredores da ONU, nos resulta claro que o marxismo cultural atualmente dominante no sistema internacional não poderá seguir igual com Trump e Bolsonaro contra. E as coisas poderiam ser muito piores se, como anunciou Bolsonaro, Brasil se retira totalmente da ONU.

Estamos às portas de uma mudança dramática do cenário político e diplomático mundial. Aproximam-se turbulências. Porém será a primeira vez em muito tempo em que um bloque sólido de países enfrenta o muro do marxismo cultural imperante em eixos fundamentais em temas relacionados com a vida e as liberdades.

No Population Research Institute, temos seguido de perto o processo de maturação de muitos brotes de insubordinação frente às diferentes imposições do marxismo cultural em diversos países. Para potencializar este fenômeno temos criado recentemente a Divisão RELEASE  dedicada a potencializar organizações com ferramentas de participação cidadã. Alí onde se identifica a opressão do marxismo cultural e os cidadãos encontram os meios para revelar-se, a mudança tarde o cedo se nota.

2019 é ano eleitoral em muitos países de Europa e América e nos trará mais de uma surpresa. Será salutar para a humanidade, ainda que não estará isenta de momentos delicados, de verdadeira crise. Depende de nós se essas crises são de verdadeiro crescimento ou teremos que seguir esperando por uma mudança para melhor.

A LEI, A JUSTIÇA, A POLÍTICA E A UNIVERSIDADE…

(Artigo produzido em outubro de 2018, com fulcro na análise do acirrado cenário político pátrio, quando se digladiavam os então candidatos ao Palácio do Planalto: Jair Bolsonaro (PSL), Fernando Haddad (PT), Geraldo Alkmin (PSDB), Marina Silva (REDE), Ciro Gomes (PDT), Álvaro Dias (PODEMOS), João Amoêdo (NOVO), Guilherme Boulos (PSOL), Henrique Meirelles (MDB), Vera Lucia (PSTU), João Vicente Goulart (PPL), José Maria Eymael (DC), Cabo Daciolo (PATRIOTA). Do embate, saiu vitorioso o atual Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, por larga margem frente ao segundo colocado).

Por: Prof. Dr. Juan Y. Koffler A.

A propósito destes tempos destemperados em que ocorre uma verdadeira batalha campal animalesca (às raias do irracional) entre “esquerda versus direita” em razão da disputa eleitoral que visa a cadeira-mor da República (e sua larga lista de“penduricalhos inócuos” e benesses infinitas), voltam à baila as manipulações espúrias, apátridas e até criminosas que emergem de mentes insanas, alienadas, idiotizadas e ostensivamente ególatras. Afinal, está em jogo não exatamente o destino da nação (como os ingênuos poderiam crer), mas sim o futuro e as benesses desses “penduricalhos”, pouco ou nada importando qual será, doravante, o destino da pátria!

“Desde há quantos anos violam você esses senhores?” (Parece óbvio que a questão refere-se aos políticos!)

Detenhamo-nos um pouco e reflitamos sobre este primeiro parágrafo. E questionemo-nos: “Será que sempre foi assim o «modus vivendi» humano?” Tomemos como exemplo a Justiça (apenas uma das variáveis desta complexa equação humana, embora de alto poder de influência no modus vivendi social). Referindo-se ao binômio “legislação x justiça”, González Quirós[1], renomado filósofo espanhol contemporâneo, desenha em traços mais que compreensíveis o grande paradoxo do que conhecemos como “Justiça”:

“Seria necessária a sabedoria de Salomão, e um tempo infinito, para não tropeçar nalguma das pedras com as que a logorreia legislativa há ido semeando o caminho da Justiça. Não é sem motivo que a Justiça tenha fama de lenta [grifos no original], porém pese à sua prudência, chamemo-la assim, há legisladores empenhados em que role (se arraste) pelo chão em tantas ocasiões quantas seja conveniente aos altos interesses do palanque (grifos nossos).

Curioso e deveras emblemático, pois não? González Quirós ainda complementa sua análise com pontual e contundente realidade, aqui e alhures: “Rangem os esquemas do sistema financeiro enquanto levas de advogados de fortuna se lançam em busca da sua parte do butim”! Butim constituído de um tesouro abundante que reina na confusa escuridão da superabundância legislativa! Emblemático (repito propositadamente), grotesco e nauseabundo! Mas é ainda o autor em tela que, cauteloso, faz questão de complementar seu pensamento:

“Não é pouca coisa que haja disputa sobre quem terá que pagar um imposto, porém não se atribulem os beneméritos defensores da ordem, porque o que seria terrível é que restassem dúvidas acerca de que tenha que se pagar, porém não há risco, de momento, em que a bondade intrínseca daqueles que nos esvaziam os bolsos seja colocada em questão em sedes que vivem razoavelmente bem do que deriva desses despojos”.

Traduzindo ao bom e popular português, desconfiar da lisura dos nossos juízes e legisladores seria temerário considerando-se que, apesar desses “roubos”, ainda se consegue sobreviver. Noutros termos, há que se odiar o delito, mas compadecer-se do delinquente. Paradoxal e bizarra conclusão.

Pois bem. Nestes momentos de tensão político-social, vésperas das eleições presidenciais, alguns setores sociais usam e abusam das suas pretensas prerrogativas fazendo a própria Justiça curvar-se às suas desvairadas elocubrações (nada louváveis). Em recente e estardalhada notícia, a ativa e douta Raquel Dodge (Procuradora Geral da República) ingressou com pedido de liminar junto ao STF (Supremo Tribunal Federal) visando sua concessão no sentido de “suspender o ingresso de agentes públicos nas universidades e impedir buscas, apreensões e coleta irregular de depoimentos”[2]. Alega a insigne Procuradora que ditos agentes públicos, motivados por denúncias de potencial propaganda eleitoral irregular e com intuito de reprimi-las, praticaram atos que afrontam a Constituição, ensejando a justa medida de ajuizamento de Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) com pedido de Liminar a fim de garantir a liberdade de expressão, assim evitando lesão a instituições, independentemente de serem públicas ou privadas.

“Curiosamente” (sic), três dias antes (portanto, em 23 de outubro de 2018), a Justiça Eleitoral exarou decisões endereçadas à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e à Universidade Federal Fluminense (UFF) instando-as a abster-se de atos políticos, seja mediante material eleitoral ou qualquer outra atividade neste sentido (sublinhamos).[3]

A medida tinha razão de ser. Desde os idos da década de 1960 – apenas para marcarmos um horizonte mais próximo e emblemático – os educandários da pátria (lato sensu), seguindo uma deletéria tendência que se espalhava rapidamente por todo o continente, foram literalmente transformados em bunker’s de resistência comunista, verdadeiros antros de multiplicação das crescentes levas de “adoradores do marxismo” – mesmo que sequer conhecessem o que esta ideologia representava. Tal qual papagaios amestrados (sic), idiotizados, repetiam as surradas frases rezadas na cartilha marxista, pelas bocas asquerosas de homunculos como Fidel Castro, “Che” Guevara et caterva. Esta bizarra e destrutiva “contaminação maciça” alcançou, em pouco tempo, todos os rincões das três Américas, sedimentando-se principalmente nos estabelecimentos de ensino público (mas não apenas nestes), a partir do Segundo Grau.

Universidades e Centros Educativos: antros de proliferação da ideologia marxista…

Este subtítulo nada além representa que a fiel e legítima pecha fundamentadamente atribuída a todo e qualquer centro de ensino, independentemente do nível escolar que nele se desenvolva: a politização e ideologização dos acadêmicos que por ele transitam à procura do tão sonhado “relevante saber” que lhes permitirá (em tese, óbvio) ingressar posteriormente ao altamente competitivo mercado de trabalho. Nada mais falso (claro que com as parcas e honrosas exceções).

A partir dos anos ‘1960 e seguintes’  (aproximadamente e apenas com o fito de predefinir um marco temporal o mais acorde com a realidade), coincidindo com o expressivo desenvolvimento das ideologias ditas “de esquerda” motivadas pela revolução promovida na então paradisíaca ilha caribenha de Cuba e sob a batuta dos irmãos Castro e o celerado aventureiro argentino, Ernesto “Ché” Guevara, intensificaram-se as operações de controle mais rígido da expansão desse movimento hediondo que nada tem de “libertador” como seus mentores faziam questão de nominá-lo. 

Indiscutivelmente e por razões óbvias (o idioma espanhol preponderante, os índices educacionais baixos e até paupérrimos, dentre outras variáveis), a revolução cubana teve seu grande suporte advindo, em primeiro lugar, de Rússia (por afinidades ideológicas e, obviamente, estratégicas para esta última potência), exemplo seguido pelas nações que compõem os blocos central e sul do continente sul-americano. E muito embora a história registrada como “oficial” do que passou a ser conhecida como “revolução cubana” (o golpe de Estado revolucionário capitaneado por Fidel Castro e seu fiel escudeiro, Ernesto “Ché” Guevara, derrubando o então ditador Fulgêncio Batista) não passasse de uma ostensiva estratégia financiada e apoiada por sua patrocinadora (a nação russa), o correto seria entender tal “parceria” como uma grotesca e asquerosa intentona de sequestrar nosso continente e aqui estabelecer as bases  estratégicas para castigar, com maior eficiência e melhores resultados, os Estados Unidos da América do Norte. Mais: há por trás destas maquinações estratégicas a disputa do poder ideológico que, de certa forma, privilegiaria a supremacia comunista, em detrimento de todos os esforços que as Américas do Sul e Central vêm desenvolvendo a fim de inibir essas continuadas intentonas de imposição ideológica de corte marxista-leninista.

A cartilha marxista passou a ser, então, a “bíblia” das levas acadêmicas de segundo e terceiro graus, não poupando ninguém: ou o indivíduo se unia ao grupo majoritário de ensandecidos e alienados indivíduos, ou estaria firmando sua sentença de marginalização, de desterro e até de perseguição e morte. Simples assim. Em suma, a típica “sinuca de bico”: “se ficar o bicho pega, se correr o bicho come!”

Por qual(ais) razão(zões) o comunismo não vingou?

A queda do muro de Berlim (o muro da vergonha à época da chamada “Guerra Fria”) se deu em 9 de novembro de 1989; portanto, está às portas de completar seu trigésimo aniversário. Tal evento está diretamente conectado com o modelo político e econômico da URSS, que literalmente começou a colapsar nos idos de 1980, prenunciando graves e elevados prejuízos a essa nação comunista continental.

Quer se queira, quer não, o período seguinte à derrubada do famigerado muro berlinense enfraqueceu sobremaneira a outrora portentosa nação russa, desestabilizando ferozmente suas deletérias bases ideológicas marxistas-leninistas e forçando sua política interna a assumir outro rumo, desta feita com feições claras de uma sistemática político-social híbrida (uma espécie de “comunismo democrático”, despersonalizado; um grotesco arranjo capcioso que nem sua sociedade conseguiu assimilar, muito menos aprovar).

Isto remete a uma obrigatória reflexão sobre qual é a realidade e qual seria a ficção, ou vice-versa, como queira o leitor. Sim, porque, a nosso ver e sentir, o comunismo vem perdendo espaço a olhos vistos. Na prática, ressignifica a periclitância das ideologias ditas “de esquerda”, insustentáveis e, mais que isso, ameaçadoras para seus próprios seguidores. 

Há algumas respostas que são mais palatáveis à compreensão daqueles que não transitam costumeiramente por este complexo e intrincado tema das ideologias. Intentaremos, então, resumir com a melhor clareza possível.

Iniciemos afirmando que a sistemática comunista é melhor assimilada por aquelas camadas mais carentes e menos intelectualizadas da sociedade. O discurso comunista agrada àqueles que sentem-se excluídos das benesses que a riqueça farta traz às outras camadas que habitam o topo da pirâmide social. Alguns invejam os luxuosos automóveis que circulam pelas ruas e avenidas; outros sentem-se vexados quando olham para restaurantes finos, através das largas vitrines de blindex, onde fartas mesas de quitutes e custosas bebidas parecem tripudiar do humilde passante; outros ainda, defrontam-se nos corredores de hipermercados com carrinhos abarrotados de finos produtos de alimentação, bebidas e luxo, comparando-os com as próprias e minguadas compras; e muitos outros, então, em seus caminhos para o forçado labor diário a bordo de abarrotados e desconfortáveis ônibus, em plena madrugada, observam desiludidos as suntuosas mansões feericamente iluminadas, com seus monumentais jardins floridos. Parece claro e até compreensível que em suas mentes turvadas e apreensivas com as contas de final de mês (nem sempre acessíveis ao seu pagamento), instala-se em seus corações essa amarga sensação de impotência, de descrença e até de desespero com a “injustiça divina” – a mãe de todos os males terrenos”

O certo é que, dentre tantas explicações – da mais singela à mais estapafúrdia -, ergue-se uma constatação que parece resumir à perfeição a real realidade [5]: 

Esta mostra que os princípios do comunismo são, de fato, viáveis. “O único problema é que elas produzem economias super ineficientes, de tal forma que, embora as pessoas em um sistema comunista apoiem plenamente seus ideais, elas logo começam a se comportar de uma forma que mostra seu profundo anseio pelas liberdades do capitalismo”.

Eis uma realidade que não pode ser combatida com meras elucubrações vazias ou com discursos inflamados, típicos das agremiações de esquerda. Em realidade – e para concluir, pois o tema é extenso, vasto e complexo -, o que se entende por comunismo é apenas o que eu reputo de democracia unilateral disfarçada, ou seja, a clássica e surrada premissa que dita:

 “Aos amigos, a lei; aos inimigos, o rigor da lei!”

Esmiuçando o conceito ora citado e grifado, que encerra este breve ensaio,  o comunismo nada mais é que uma democracia parcializada e aplicável apenas àqueles que partilham do butim, que compõem o séquito supostamento etiquetado como “esquerda”, mas que praticam um insofismável capitalismo raivoso e sectário.

Reflitam, assimilem cuidadosamente todo o exposto e procedam a uma reflexão profunda, crítica e auto-crítica, e conseguirão visualizar a ostensiva falácia contida nessa mentirosa, asquerosa e criminosa seita de ególatras despersonalizados e apátridas a serviço de humanoides inescrupulosos e ditatoriais.  


[1] QUIRÓS, J. L. Gonzáles. La legislación contra la Justicia. In: “Disidentia”, 27 de octubre de 2018. Disponible en: https://goo.gl/MtNEJc. Acceso en: Octubre de 2018.

[2]VASCONCELOS, Frederico. Raquel Dodge pede ao STF para impedir ingresso de agentes nas universidades. In:UOL/Folha de São Paulo – Seção “Colunas e Blogs”, 27.out.2018. Disponível em: https://goo.gl/TWbiAV.Acesso em: 27.out.2018.

[3]PIMENTEL, Matheus. Atos políticos em universidades são cancelados. O que diz a lei. In: NEXO Jornal Digital –Coluna “Expresso”, 24.out.2018. Disponível em: https://goo.gl/RoSGvW.Acesso em: 27.out.2018.

[4] KOFFLER, J. O homem: esse projeto mal-acabado. Disponível em: https://www.monografias.com/pt/trabalhos3/homem-projeto-mal-acabado-shtml. Acesso em: Dezembro.2018.

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Elucubrações “köfflerianas”: Falando com Deus no banheiro… (Série: I de V)

EU ESTILIZADO

“Vivemos numa democracia. Significa dizer que somos donos de uma liberdade até certo ponto ilimitada – desde que nossas ações não ultrapassem a fronteira que nos separa da seara de outrem -; portanto, somos livres, embora não o sejamos no sentido lato do termo, nem nunca o seremos…” (J.Koffler, 1976).

     Jean Paul Sartre (1905-1980), imortal filósofo francês do existencialismo, ousava afirmar que a liberdade, o real, são finitos, o que redundaria em acrescer, por dedução, que a realidade jamais poderá ser bela. Do mesmo modo e servindo-nos da premissa de Sartre, a liberdade jamais poderá ser total nem bela, mas sim, tutelada e limitada pela liberdade de outrem. Portanto, somos livres desde que também permitamos que o outro também o seja. A beleza resta, assim, subordinada aos limites da liberdade e ao caráter efêmero desta.

     Desde que os nossos primitivos ancestrais diretos surgiram na fase da Terra – algo próximo aos 150 mil anos (FOLEY & DONNELLY, 2001), segundo diversas estimativas – nosso percurso vital vem sendo no mínimo paradoxal, conformando uma espécie de curva elíptica, isto é, um processo em perpetuum mobile. Explico com a figura a seguir:

 

EVOLUÇÃO HUMANA

Evolução do gênero Homo (Hominídeos) até o Homo Sapiens Sapiens (aproximadamente 2 milhões e meio de anos) (montagem minha)

HOMO ERECTUS

Bípedes Erectus (África)

     Até esta etapa do desenvolvimento, o humano vinha num processo de transformação e de crescimento (em amplo sentido), indicando sem lugar a dúvida que iria assumir a posição mais destacada entre as milhões de espécies co-existentes com ele no planeta.

     Contudo, o que comprovamos no dia-a-dia é que estamos ingressando (ou melhor, já estamos nele) num processo de involução. Voltaire afirmava em seus escritos: “o homem quanto mais se aperfeiçoa, mais se degrada e se afasta do seu estado natural” (Voltaire in SOLÓRZANO, 1819:136). Muito antes ainda, durante o brilhantismo do antigo período grego, a ideia que preponderava não era a do progresso, mas sim a de um movimento regressivo ou cíclico , parcialmente corroborada pelo cristianismo e sua ideia de evolução única e linear, porém decadente, não ascendente (ÁVILA, 2003). Há, em suma, uma lei natural (facilmente percebida em vegetais, por exemplo) que determina: “Depois de um ciclo de evolução sempre vem um ciclo de involução” . Noutros termos e fazendo uma associação do exposto com os conceitos de desenvolvimento e estagnação/retrocesso, Edgar Morin, diretor emérito do Centro Nacional da Investigação Científica, de Paris (França), procede a uma dicotomia do conceito de desenvolvimento, subdividindo-o em duas direções: (a) o desenvolvimento técnico-científico-econômico, e (b) o desenvolvimento humano, isto é, liberdade, democracia, autonomia, moralidade. Assim entendido, o que se observa – ainda segundo Morin – é que tais fatores de desenvolvimento (ora citados em “b”) têm redundado em subdesenvolvimentos mentais, psíquicos e morais. Em suas próprias palavras, os resultados do desenvolvimento técnico-científico-econômico, acaba redundando no…

“[…] individualismo, no sentido de perda das solidariedades tradicionais; o egocentrismo, que também destrói e esquece as solidariedades, e que se consagra unicamente a seu próprio interesse; a perda de muitas aptidões polivalentes do ser humano pela hiper-especialização de cada pessoa; a perda de muitas faculdades pela adaptação e para enfrentar seu destino” (MORIN apud CUSICANQUI, 2006:93).

     “Cogito ergo sum” (“penso logo existo”) (René Descartes, 1596-1650), eis a diferença que ostentamos ante as demais espécies: somos a única espécie que possui consciência da sua existência, enquanto se mantiver como um ser pensante, consciente (VALDEBENITO, 2007). Mas – pergunto -, até quando? Sim, porque todos os sinais que se acumulam ano a ano, década a década, século a século, indicam que estamos em amplo processo de decadência, de involução civilizatória, aproximando-nos de maneira célere a uma perigosíssima encruzilhada existencial: persistir na autodestruição (da espécie e do planeta) ou repensar criteriosamente nosso modus vivendi e nosso modus raciocinandi, reformulando-o por completo?

     Como diria o festejado escritor romancista austríaco, J. M. Simmel: “só o vento sabe a resposta”

A involução humana: um desafio à lógica

     Primeiro que tudo, a sociedade humana vem quebrando insistentemente uma regra crucial e não é de hoje: “A seleção natural , tanto em tempos de Darwin como hoje, não é senão o êxito diferencial na reprodução. Num mundo de recursos finitos é produzida mais descendência da que pode sobreviver. A noção personifica um simples mecanismo para o progresso. Apenas os melhores são selecionados de cada geração, para produzir a seguinte”  (ELDREDGE & TATTERSALL, 2016:seção 3) [todos os grifos nossos].

     Darwin considerava “evolução” como sinônimo de “sucessão com modificação”, o que presumiria – em tese – que o sucessor seria melhor (mais aperfeiçoado) do que o sucedido, o que, em realidade, não ocorre ou, se se quer, nem sempre ocorre, não podendo ser tomado esse axioma como verdade inatacável. Assim também se enquadraria sua outra assertiva (supra-citada): “Apenas os melhores são selecionados de cada geração […]”. Levado à prática tal axioma, pressuporia que todo e qualquer descendente de um ser, de uma determinada espécie, viria aperfeiçoado a cada nova geração, o que tampouco é verídico. O que há, realmente, é um processo sucessório desregrado às raias do leviano. Se aplicássemos a assertiva de Darwin delimitando-a a um indeterminado núcleo familiar meramente ilustrativo, teríamos que, desse núcleo, cada geração posterior viria aperfeiçoada, o que é deveras uma ostensiva falácia.

     O que Darwin decidiu cognominar de “mudança gradual, progressiva” aplicada às espécies apenas se presta à aplicação em largos espaços temporais que envolvem várias gerações de determinada espécie. Neste sentido, sim poderia se aceitar que, ao longo de inúmeras gerações estas viessem se aperfeiçoando a fim de adaptar-se às alterações do meio e suas condições (climáticas, etc.), o que decididamente não se aplicaria à espécie Homo, que, em sua larga trajetória, vem demonstrando características crescentes de degeneração em sentido lato.

     Observe-se a imagem gráfica ao início deste texto, na qual se expõe a evolução do ser humano ao longo da sua história (\approx 2,5 milhões de anos). Não há dúvidas quanto a sua evolução em diversos aspectos, embora noutros pareça estar regredindo rumo ao mais trágico primitivismo, o que – convenhamos – constitui-se em grosseiro paradoxo. Noutros termos, se expressássemos tal assertiva novamente num gráfico, seria algo semelhante a este:

PROGRESSO REGRESSO HOMO

Ensaio preditivo da evolução/involução humana (montagem minha) 

     Vivemos já um largo momento de tensão que, pelo que tudo indica, tende a piorar. Não se trata de mero fatalismo infundado, mas sim de um cenário calcado em constatações diuturnas que vêm se sucedendo em desabalada corrida, graças ao elevado acirramento de ânimos entre as maiores potências do planeta. Tudo está pendente de um fino e delicado fio de teia de aranhao simples pressionar de um botão, inadvertida ou propositalmente. Lembremos que o ser humano é naturalmente intempestivo, inseguro, instável (emocionalmente falando) – principalmente quando o ego fala mais alto, o que, convenhamos, não é nada incomum; basta observar energúmenos como os Castro, ou o tiranete Kim Jon-un, ou ainda, o degenerado e aloprado Maduro, dentre outros tantos que mancharam e continuam a manchar indelevelmente a longa história humana -.

     Passamos, em tempos modernos, por dois grandes conflitos bélicos mundiais, durante os quais, apenas com armas convencionais, ceifaram-se as vidas de 100 milhões de indivíduos humanos, sem contar com a grotesca e extensa destruição material de cidades inteiras. Hoje, a Espada de Dâmocles persiste ameaçadora sobre nossas cabeças, mas com um poder de destruição praticamente total, sem chances de chorarmos as vítimas, pois um terceiro conflito mundial seria definitivamente terminativo, uma verdadeira débâcle.

Um epílogo nada auspicioso…

     Um robusto estudo realizado por três investigadores científicos espanhóis (VILCHES, MACÍAS & PÉREZ, 2014) (1) e que demandou dez anos de intensos trabalhos, aborda um dos temas mais críticos em nossos dias: “Educação para o Desenvolvimento Sustentável”, cuja tônica concentra-se na formação cidadã consciente – mediante educação formal e também informal -, a fim de tornar possível uma transição para a sustentabilidade. Um gigantesco desiderato, sublinhe-se.

     A gravíssima questão ambiental e social está a demandar de há décadas ações em regime urgente-urgentíssimo, visto estarmos a enfrentar uma verdadeira situação emergencial planetária. De acordo com o referido estudo, observa-se ostensivamente

“[…] uma contaminação que está dando lugar a uma perigosa mudança climática e à degradação de todos os ecossistemas; a perda da diversidade biológica e cultural; o esgotamento de recursos vitais; o crescimento da população mundial acima da capacidade de carga do planeta; desequilíbrios insustentáveis crescentes, com uma quinta parte da humanidade que consome em excesso e outra quinta parte que sofre uma pobreza extrema; conflitos destrutivos associados a ditos desequilíbrios; etc.” [grifos nossos]

     É claro que ainda há saídas para nosso planeta e respectivas sociedades (animais, humanas, etc.), mas por certo não por muito tempo. A degeneração (em amplo e abrangente sentido) cresce a olhos vistos e, pelo andar da carruagem, não podemos alimentar grandes expectativas quanto à sobrevivência não apenas do planeta e dos seus recursos, mas também de todas as espécies que convivem conosco.

     Que nos resta esperar, então? Um futuro incerto, tumultuado, desgovernado, conflituoso e auto-destrutivo. A tendência preponderante parece ser esta. E o que mais atrai a atenção (dos mais conscientes e comprometidos com o planeta, que parecem ser em minoria) é o gritante desprezo dos governantes em sentido lato e das novas gerações que já vêm indelevelmente marcadas pelo símbolo da dissidia social, redundando num exacerbado egocentrismo suicida em massa.

     Da minha tese (“O homem: esse projeto mal-acabado”, 1976)“Haverá um momento em que o ser humano será seu próprio e único algoz, condenando-se pela eternidade e levando com ele sua única herança: o ódio, a vingança, o desamor e… o vazio existencial. Quem viver, verá…”.

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(1) VILCHES, A.; MACÍAS, O.; PÉREZ, D. G. La transición a la sostenibilidad: un desafío urgente para la ciencia, la educación y la acción ciudadana – Temas clave de reflexión y acción. Documentos de Trabajo de Iberciencia, N. 01. In: IBERCIENCIA. Sevilla (ES): Junta de Andaluzía/Palacio de San Telmo, 2014.

A propósito do “Affair Lula da Silva”: Brasil, a bola da vez?

LULALA

O último dia 10 de maio do corrente ano, nosso país literalmente parou. Todos os focos foram concentrados na tão esperada audiência de inquirição, na qualidade de réu, do ex-presidente Lula da Silva, em sede da Justiça Federal em Curitiba, sob a regência do juiz federal, Sergio Moro. Várias caravanas de ônibus dirigiram-se até a capital paranaense, levando grupos de apoio ao ex-presidente. No primeiro dia da inquirição foram cinco horas corridas de oitiva do réu em várias questões. Pode-se afirmar que foi uma audiência “sui generis”, com momentos tragicômicos (más trágicos que cômicos), intervenções inoportunas dos advogados do réu, dentre outras cenas “circenses”.

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          Este operário da indústria metalúrgica, de origem nordestina e pertencente a uma família de parcas posses [veja o resumo da vida dele], desde cedo soube aproveitar sua natural verborragia aliciadora. Envolveu-se ainda jovem com o sindicalismo (em 1969, com 24 anos, junto ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo/SP) e, pouco tempo depois, tornou-se presidente do mesmo (em 1975). Em 1980, com alguns intelectuais”, fundou o Partido dos Trabalhadores (PT), ao qual (ou melhor, do qual) serve-se até os presentes dias. Parece-me bem apropriado, neste ponto da sua trajetória de vida, lembrar o velho adágio popular, a ele ajustado como uma luva: “Em terra de cego, quem tem um olho é rei”.

        Trato fácil, conversação chula, palavreado despido de respeito pela gramática, dicção sofrível, o popular Lula, sem qualquer estudo que lhe servisse de background acadêmico para crescer e prosperar, foi conquistando um cada vez mais amplo círculo de apoiadores que logo lhe propiciariam lançar-se à política com ideias miraculosas, visionárias e megalômanas num voo que o levaria à Câmara Federal (pelo PT) e, então, à disputa pela presidência da República, cargo que conquistou (?) em duas oportunidades consecutivas (2003-2006 e 2007-2010).

Lula paz & amor?

          Gerir os destinos de uma nação continental, como o Brasil, com 200 milhões de habitantes, é um verdadeiro desafio aos mais ousados, experientes e preparados gestores em sentido lato. Com a ascensão de Lula ao seu primeiro mandato (2003-2006) – sob o símbolo das truculentas esquerdas -, se iniciaria uma sucessão de episódios desastrosos que iriam condenar o país ao limbo do próprio inferno em que hoje ele se encontra. Os sinais eram tão claros que até os mais despreparados – em termos políticos – já previam nuvens tormentosas pela frente. Os detalhes dessa verdadeira hecatombe nacional estão profusamente registrados em incontáveis fontes de irrefutável fidedignidade, motivo que me permite não ingressar a qualquer esmiuçamento a respeito.

           A gestão de Dilma Rousseff (2011-2016, mas que iria até 2018, caso não tivesse sido alvo de um processo de impedimento que transferiu a gestão da nação ao vice-presidente, Michel Temer) acabou por fechar com chave de latão enferrujado o desastre governamental que vinha desde 2006 – não obstante os valores bilionários gastos em auto-promoção e ostensivamente mentirosos, enganosos -. A este respeito, afirma Monica Baumgarten de Bolle (2016:seção15):

“Como dilapidar uma fortuna? Assim se iniciava o editorial do Semanário britânico The Economist de 8 de junho de 2013. Narrava a triste história de certo país latino-americano que, vinte anos antes, fizera uma dolorosa arrumação da casa. Um profundo ajuste macroeconômico possibilitara que, alguns anos mais tarde, esta nação usufruise a extraordinária bonança externa, finda em 2011.

[…]

Não se sabia, àquela altura, se a herança que o Brasil recebera de Fernando Henrique Cardoso, e que fora cultivada pelo ex-presidente Lula no seu primeiro mandato [grifamos, porque o segundo foi um desastre] daria para viver ‘até o fim do mundo'”. Mas, decerto, se tivesse sido preservada com mais diligência pelo Lula do segundo mandato e, mormente, pela sua sucessora [Dilma Rousseff], o país não estaria em 2013 atolado no lamaçal […]” [grifos nossos].

          “Nunca antes neste país….” é a frase preferido do furibundo Lula da Silva, quando deseja se auto-elogiar (prática assaz comum) e elevar seus feitos às alturas, embora na prática correspondam usualmente a rotundos fracassos. A egolatria deste indivíduo é tanta que chega a transbordar por seus poros, algo deveras comum em pessoas que, falsamente, ostentam imagens superlativas dos seus pretensos desempenhos. Mas – convenhamos – não se pode desprezar outra variável social que o identifica: sua aderência “simbiótica” com os estratos sociais menos (ou des) privilegiados, aos quais se dirige em seu próprio e singular modo de dialogar “popularesco”, não raro “baixo”, chulo, deseducado, grosseiroAlgo como “a linguagem de botequim”, que o povo (óbvio) compreende melhor.

           Esse “Lula paz & amor” é a imagem sedimentada que voga nas largas massas sociais ignaras e alienadas do nosso país, nivelando-a “por baixo”, expressão usual ao nosso linguajar popular. Fenômeno similar ocorre (e já ocorreu ao longo da nossa história mundial) com outros falsos “líderes de massas”, a exemplo de Lech Walesa (Polônia); Evo Morales (Bolívia); José “Pepe” Mujica (Uruguai); Cristina Fernández (Argentina); Michelle Bachelet (Chile); Enrique Peña Nieto (México); Nicolás Maduro e seu antecessor, Hugo Chávez (Venezuela); Dilma Rousseff (Brasil); Daniel Ortega (Nicarágua); dentre outros espalhados pelo mundo. Todos eles, invariavelmente, escudam-se sob o frágil e mentiroso discurso comunista inaugurado pelo truculento e sanguinário Lênin e sua Revolução Russa (1917), que trucidou impiedosamente milhões de cidadãos sob o emblema sanguinário da foice e do martelo, que persiste como tal até os dias presentes.

*

         COMUNISMO BRASIL AMERICA LATINA Que têm em comum todos esses “líderes” (sic) esquerdistas? Em primeiro e destacado lugar, sua ânsia desvairada de poder e, na esteira deste, os ganhos monetários infindáveis que os levam, em pouco tempo, a acumular fortunas incalculáveis. Basta que o leitor atento faça uma singela pesquisa sobre cada um deles, do antes e do depois de terem assumido seus respectivos cargos ditatoriais (mesmo que alguns o tenham feito através do sistema – aparentemente – democrático das urnas). Sim, afirmamos em destaque o adjetivo, pois todos os sistemas de sufrágio existentes em nosso continente (e fora dele, nos países de corte comunista) são viciados, manipuláveis. Isto não é mera constatação minha, mas de conhecimento público e notório.

          Mas – questionaria um leitor mais atento -, por que isto ocorre? Não existem leis nesses países supracitados e em outros de similar linha ideológica? Sim, óbvio que existem! Contudo, em nações sob o jugo de corte comunista, as leis são “adequadas” aos desejos dos seus tiranetes, pois toda a estrutura de poderes submete-se, incondicionalmente, ao “controlador e possuidor” do poder central, sob pena de, em assim não procedendo, acabar ou morto ou encarcerado para sempre. Exemplos ilustrativos sobram mundo afora, mas são vistos com maior clareza em nosso continente e imediações: Brasil (desde 2003), Cuba (há 60 anos!), Argentina, Chile, Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador, Nicarágua, El Salvador, como os mais ostensivos.

          Por que a importância deste teor agora? Porque, senhores e senhoras leitoras, este ano é comemorativo dos 100 anos da revolução russa (marxista-leninista). Um marco histórico de nada menos que um século de submissão a essa torpe, criminosa, mentirosa e leviana “ideologia” [sic] que infesta o planeta e denota às claras que não pretende arrefecer, deixando uma trilha de centenas de milhões de mortos, trucidados por essa asquerosa “coisa” cognominada de “comunismo”! (PHILIPP & NANIA, 2017). Perdoem-me a insistência, mas ainda não consigo compreender como o mundo moderno e este que ora trilhamos, post-moderno, insiste em sua criminosa permissividade em relação a esta asquerosa pandemia pseudo-ideológica! Algo deveras paradoxal e literalmente monstruoso, sem precedentes!

         Façamos um simples comparativo que permitirá avaliar a representatividade do número de mortes provocadas pelo comunismo e o de outros grandes episódios mundiais da história (optamos pelas pestes arrasadoras), o que nos dará uma ideia visual do desastre destrutivo dessa asquerosa ideologia mortal.

PRAGAS X COMUNISMO MORTES 2017Fonte: Culture of Health: The Five Deadliest Outbreaks and Pandemics in History. (2013).

         Simples de observar: o comunismo, até o presente, matou a metade das vítimas  da Peste Negra; igual número que a Gripe Espanhola; igual número que o HIV/AIDS até 2013; igual número que a Praga de JustinianoMesmo que tais indicadores sejam aproximados, já são suficientemente demonstrativos para que se possa inferir, com bastante certeza, que o comunismo é uma pandemia altamente destrutiva e com claras tendências a crescer, caso não seja detido imediatamente e extirpado do planeta até sua mais ínfima semente.

A ideologia comunista e suas nascentes utópicas

   Não é nossa intenção transformar estas rápidas e concisas linhas num Tratado complexo e minucioso. Afinal, este não seria o espaço nem a forma adequada de fazê-lo. Nosso objetivo é meramente esclarecer as variáveis que influenciam os rumos da política nacional e internacional nestes tumultuados tempos de “guinada à esquerda” como fenômeno crescente em diversos cantos do planeta. Algo que decidimos cognominar de “pandemia suicida”, segundo nos parece ser a mais apropriada denominação para este crítico momento da sociedade mundial.

  Que diferença básica existe entre os conceitos sócio-ideológicos socialismo comunismo? Simples: enquanto o socialismo busca controlar (mediar, equilibrar, pacificar) a natural luta entre as classes sociais, o comunismo procura extingui-las criando apenas uma única classe. Ambos esses conceitos surgem da teoria marxista (Karl Marx, 1818-1883) e sua compreensão a respeito do embate travado entre a classe capitalista – que concentraria os recursos financeiros e de reprodução – e a classe do proletariado, isto é, o universo geral dos trabalhadores que lutam por sua sobrevivência, reféns escravizados que seriam dos primeiros. Há variações interpretativas desses conceitos que remontam à época de Platão (século IV a.C.) e sua festejada obra “A República”, na qual este estudioso grego desenha seus modelos de utopias entre as quais se encontra a gênese do comunismo (DURKHEIM, 1987).

           O tema, em suma, suscita confusões, impõe exaustiva pesquisa que, como vimos, remonta aos escritos de Platão, dando a entender que os próprios conceitos envolvidos no assunto se confundem. É o que esclarece Lichtenberger (“Le Socialisme au XVIIIe siècle”. Paris, 1895″ apud DURKHEIM, 1987, op.cit., p. 42), para quem “Chamam-se socialistas os autores que, em nome do poder do Estado e num sentido igualitário e comunista, têm se proposto modificar a organização tradicional da propriedade”. Em realidade – destaca agora Woolesley em sua obra “Comunism and socialism”, citado ainda na obra supra – o socialismo é o gênero, e o comunismo a espécie, o que possibilitaria utilizar indistintamente ambas as expressões. Assim, o marxismo, para estes estudiosos, seria apenas uma singela extensão do antigo comunismo. Em suma e segundo Robert Owen, “a associação de todas as classes de todas as nações” (ibidem). Sem dúvida, uma grosseira utopia.

           Lênin (Apud CUBÍAS, 2016:Secão VI) escrevia que “o socialismo é uma sociedade que se desenvolve diretamente a partir do capitalismo, é uma primeira fase da nova sociedade. O comunismo, pelo contrário, é uma etapa mais elevada da sociedade, e só pode se desenvolver quando o socialismo tenha se firmado plenamente”. Ou seja, de utopia em utopia, estos “pensadores” vão alicerçando toda uma estrutura ideológico-alienante que acaba convencendo, pelo discurso fácil e aliciador, as largas massas ignaras de uma nação, enquanto – paradoxalmente – os líderes que compõem o high staff da governança vão acumulando enormes fortunas pessoais e um poder praticamente ilimitado que passa de geração para geração até conformarem verdadeiros feudos vermelhos impenetráveis.

          Em realidade – e como já o defendi em minha tese de 1976 (“O homem: esse projeto mal-acabado”) -, o ser humano é seu próprio e principal algoz, seja por excesso de permissividade (no caso das sociedades) ou por excesso de egolatria (no caso dos tiranetes que se arvoram em mandatários perenes de chicote em punho, enquanto chafurdam nas benesses do poder e da riqueza expropriada das ignaras e alienadas sociedades).

         Há solução para este incômodo e insano impasse existencial? Não, não há. Enquanto persistirem indicadores elevadíssimos de ignorância e alienação popular, ditos tiranetes seguirão sendo os únicos beneficiados da permissividade social. Não é à toa que a educação (familiar e formal) segue em desabalada e ostensiva queda livre, ratificando o velho adágio popular que dita: “Um povo ignorante, é um povo fácil de enganar e manipular”. O curioso está no autor desta emblemática frase: Ernesto “Ché” Guevara. Um verdadeiro contrassenso, quando comparamos a existência e os atos gravosos de Guevara – um guerrilheiro sangrento, criminoso, impiedoso, desumano – durante a revolução cubana, e sua enganosa e mentirosa frase que, definitivamente, não lhe cai nada bem! Certo?

SIMON BOLIVAR      Simon Bolívar (1783-1830), venezolano, herói da emancipação americana – então sob o jugo espanhol – e ator nas lutas pela independência de Bolívia, Colômbia, Equador, Panamá e Venezuela, cunhou também esta emblemática frase sobre a ignorância popular como principal fator da fragilidade dos povos ante o avanço hipócrita e criminoso das forças do mal (comunismo à frente destas).

A título de epílogo:

Comunismo, socialismo, democracia, anarquia… O que é melhor?

          A questão que encerra este sub-titulo (como fechamento deste humilde artigo), só possui uma única resposta: nenhum é melhor ou pior; todos são mera nomenclatura diferenciada, mas que trazem em seu cerne a hipocrisia humana; a gana exasperada de auferir vantagens indevidas e/ou imerecidas; a falência do homem como espécie; o sacrifício hediondo das sociedades, historicamente falando, por mãos e mentes enfermas de homunculos desvairados, verdadeiras “coisas” disformes sem alma, sem coração, sem passado nem futuro

       O humano, em suma, vive de convenções “arregladas” segundo impõem as tendências de maior força – o que de maneira nenhuma pressupõe justiça e equilíbrio social -. Características, estas últimas, que nunca existiram na longa história humana, remanescendo, apenas, como meros e frios adjetivos vazios, decorativos, inócuos. Eis a crua e nua realidade do ser humano. Realidade que nunca se alterará, pois que é parte inerente à desestruturada e hedionda mente humana!

            Acreditar em qualquer verdade diferente a esta, é firmar atestado de completa ingenuidade e de total alienação!

***

Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem es (ou senhores, escravos e plebeus da pós-modernidade)

Trata-se de um artigo que analisa a “conexão por simbiose” dos membros de grupos sociais conluiados para a prática do crime institucionalizado, prévia, aleatória e infundadamente eximidos de dolo.

*

1. As sociedades e seus grupos

Ressalvemos, de pronto, um vértice desta temática: toda e qualquer sociedade é composta por grupos de interesses diversos, cada um destes defendendo seus próprios interesses, nunca pensando em sociedade como um único agrupamento cuja característica identitária é o de ser composto por seres humanos. “[…] o único grupo que não é um subgrupo é o mais vasto e difuso de todos: a sociedade” (Figueras; Rodríguez, 2004:85).

Esta primeira premissa já nos permite inferir, por antecipação, que a sociedade humana, ao se ‘grupalizar’, comete a primeira e grosseira falácia sobre o princípio constitucional da isonomia que, em nossa Magna Carta, está inserto em seu art. 5º,caput, como postulado básico que é da democracia, inscrito em todas as Constituições democráticas do planeta. Falácia, saliente-se, que vem sendo reproduzida diuturnamente, sem qualquer indício de tentativa em se detê-la, corrigi-la ou até mesmo de se extingui-la por inepta. Falácia que afronta e joga por terra a tão decantada racionalidade inteligente da espécie humana, porque a rigor “o racional não existe individualmente. Existe sim, o indivíduo inteligente apto a ser racional, aptidão que só se realiza em sociedade” (Toledo, 2008:114).

Aliás, é bom que se reprise: todas as Cartas Constitucionais do mundo ditodemocrático são, na maioria dos seus ditames, verdadeira letra morta. Basta um rápido e superficial olhar para a realidade mundial e constatar-se-á a idoneidade desta assertiva. Procuremos na história o marco inicial desta incômoda falácia e iremos encontrar o registro da primeira Constituição formalmente documentada: a expressão lavrada em 15 de junho de 1215 por nobres ingleses que “obrigaram o rei João-sem-Terra a lhes conceder a famosa «Charta Magna Lebertatum», considerada por alguns a origem de todas as monarquias constitucionais e berço das democracias futuras” (FAUS, 1998:31).

Em consonância com este registro, cumpriu-se no último mês de junho o 800º aniversário do nascimento das Cartas Magnas, nada menos que oito séculos em que prevaleceu (e assim segue) a prepotência político-estatal, a despeito da pomposidade e prolixidade ostentadas pelas sucessivas Cartas Constitucionais, mundo afora. Brasil é exemplo que ilustra bem o afirmado. Neste diapasão:

“A experiência autoritária direta, ou seja, a existência do sujeito determinada pelo senhor da terra (dominação objetiva de escravos e subjetiva de agregados nos engenhos de açúcar e fazendas de café) é um traço da nossa formação. A descrença em relação à eficácia democrática é baseada ainda na decepção com os governos eleitos pelo voto direto da população” (AURÉLIO, 2008:93-94) [grifos nossos].

Simples, direta e irrefutável constatação de Aurélio, malgrado persistir inalcançável a responsabilização efetiva, eficaz e proporcional dos crimes perpetrados pelos agressores da Constituição, investidos em cargos políticos públicos. Um dado no mínimo curioso – para não dizer paradoxal – é o registro comparativo de Costa e Silva (2011, seção 5) que, ao relacionar as Constituições republicanas de 1891 e sucessoras (1934, 1937 e 1946), constata que estas, no tocante aos direitos políticos, são “muito menos democráticas e mais restritivas e elitistas do que a legislação do Império” (!). Outro dado, ainda mais curioso e transcrito do autor ora referenciado, diz respeito aos ensinamentos de José Honório Rodrigues – laureado historiador brasileiro –, ao afirmar que os grandes problemas brasileiros “continuam os mesmos desde a independência e antes dela, a começar pelo da ocupação e uso da terra” (SILVA, 2011, op. Cit.), espraiando-se por todos os recônditos cantos sociais até contaminar toda a sociedade, seus organismos, seus diplomas de tutela legal, enfim, seu modus vivendi e seu modus operandi.

2. A «liquefação social» e a inércia (ou capciosidade) política

“Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”, dita o surrado brocardo popular, abrindo caminho para a introdução da festejada teoria baumaniana, “Modernidade Líquida” (BAUMAN, 2000) [1]. O laureado sociólogo polonês contemporâneo, trouxe a lume uma das suas principais teses: a modernidade foi sempre “fluida”, desde sua concepção. Analisem suas palavras:

“Derreter os sólidos” significava, antes e acima de tudo, eliminar as obrigações ‘irrelevantes’ que impediam a via do cálculo racional dos efeitos; como dizia Max Weber, libertar a empresa de negócios dos grilhões dos deveres para com a família e o lar e da densa trama das obrigações éticas; ou como preferiria Thomas Carlyle, dentre os vários laços subjacentes às responsabilidades humanas mútuas, deixarrestar somente o “nexo dinheiro”. Por isso mesmo, essa forma de ‘derreter os sólidos’ deixava toda a complexa rede de relações sociais no ar – nua, desprotegida, desarmada e exposta, impotente para resistir às regras de ação e aos critérios de racionalidade inspirados pelos negócios, quanto mais para competir efetivamente com eles (BAUMAN, op. Cit, p. 10) [negritos nossos].

Notem que as certeiras palavras de Bauman centralizam a larga e insaciável gana humana no vil dinheiro, no mais amplo sentido, e nisto assiste-lhe toda razão. As relações sociais regem-se pelo dinheiro ou pela expectativa de recompensa (pecuniária ou de outra espécie), tornando-as fluídas, isto é, adaptáveis a essa condição de aferir algo em troca ou, por um termo popularmente mais conhecido, embuscar vantagem em tudo (a famigerada e tão decantada “Lei de Gerson”). Algo deveras execrável, altamente condenável.

Mas não é apenas o vil dinheiro que fluidificou a sociedade e suas relações interindividuais e interinstitucionais. Outro segmento social, fundamental para o funcionamento ordenado de qualquer sociedade, passou a ter tão ou mais grave e nefasta incidência sobre o futuro humano. Estamos nos referindo à política e aos políticos. O própria Bauman, em outra obra da sua lavra, afirma com convicção: “Corajosas como possam se mostrar as faces dos políticos, e suculentas como possam parecer as maravilhas que eles prometem aos seus eleitores em troca da sua lealdade uma vez a cada cinco anos, essa é a triste verdade da política contemporânea” (BAUMAN, 2011:170) [grifos nossos].

E mais. Ainda em outra obra sua, Bauman assevera com convicção e acertadamente, o seguinte:

A moralidade dos políticos é um tema totalmente distinto do impacto moral que têm suas políticas. (Os tiranos mais sanguinários e violentos da nossa época têm sido ascetas abnegados). Não obstante, a política já não é o que fazem os políticos; poderíamos afirmar, incluso, que a verdadeira política se leva a cabo em lugares distanciados dos escritórios dos políticos (BAUMAN, 2005:280) [grifamos].

E ainda mais. Segundo as clássicas lições do jornalista francês, festejado editor político do jornal Le Monde, Patrick Jarreau, ainda sobre política e políticos:

“A política se encontra onde queira, seja no urbanismo, nos currículos escolares, na produção de filmes, contaminando os hemofílicos com a AIDS ou dando-lhes lares aos que carecem destes. E, sem embargo, dá a impressão de que a políticanão está em nenhuma parte, ao menos não onde deveria de estar, ao alcance do voto cidadão; não no Parlamento [no Congresso], onde os deputados e senadores estão ocupados, entre uma indiferença quase universal, com problemas que não chegam ao público exceto através da mediação de porta-vozes ou experts de ocasião eleitos pelas mídias; tampouco nas reuniões dos conselhos locais… Nem nos partidos políticos, que perdem seus militantes e cujos esforços de reviver o debate sobre as ideias são estéreis” (JARREAU, 1993, in: “Les politocrates”,apud BAUMAN, 2005:280, op. Cit).

Bauman, Jarreau e tantos outros estudiosos de estirpe – com todo o respeito que nos merecem – transitam pela superfície da questão, quase nunca alcançando o âmago da problemática ora em comento. Ou porque não lhes interessa se aprofundar – o que não me parece ser provável –, ou porque intentam preservar, de alguma maneira, a instituição «política» evitando, assim, arranhar seus respectivos perfis e currículos científicos, o que seria até certo ponto explicável, embora deplorável. Justifico fundamentando: praticamente todas as sociedades mundiais – raríssimas exceções ressalvadas – sofrem pelas mãos (e mentes) da incompetência, do descaso, da cobiça, do descomprometimento dos ditos «homens públicos», historicamente falando. Donde pode-se deduzir, desde já, que o mal está enraizado nesta categoria social. Mui provavelmente, o fundamento desta bizarra equação (representatividade democrática versus capciosidade classista) resida no «projeto mal-acabado» do ser humano (KOFFLER, 1976).

Borja & Muxi (2001) e Salcedo (2002), nos trazem uma visão lúcida sobre o «espaço público» que, embora se refira à polis grega, merece ser transcrita in verbis:

“A visão do espaço público como um espaço de construção de cidadania e encontro social, está ancorada à reflexão política a respeito do público-privado; acessibilidade, transparência e liberdade. A análise do espaço público é uma questão que envolve um aspecto discursivo e filosófico, porém que também se expressa na linguagem dos planejadores e arquitetos, que de uma ou outra forma refere a aspectos da promoção ou o controle da sociabilidade e o encontro social que se produz na construção da cidade” (apud TORRES; MORANTA, 2012:2).

Vejam como me assiste razão ao afirmar que, entre a teoria e a prática, entre o discurso político e o fator vivencial, há um larguíssimo e conturbado espaço público. Com referência a este, Sahui (2002 apud TORRES; MORANTA, 2012:3) assevera que é um “espaço de relações entre indivíduos os quais, através do discurso e suas ações, contribuem a modelar o mundo comum como um horizonte de entendimento e encontro cidadão[grifos nossos]. Que ingrata falácia, que Habermas (1994) irá desnudá-la sem piedade, expondo-a em toda sua grosseira face:

“Na cidade-estado grega plenamente formada a esfera da polis, comum ao cidadão livre, está estritamente separada da esfera oikos, na que cada um haverá de apropriar-se isoladamente do seu (…). A ordem política descansa, como é sabido, numa economia escravagista de forma patrimonial. Os cidadãos estão descarregados do trabalho produtivo (…). A posição da polis se baseia, assim, na posição do oikodéspota(apud TORRES; MORANTA, 2012:3) [grifos nossos].

Vinte e seis séculos transcorridos da polis grega (séc. IV a. C.), o que vemos na sociedade pós-moderna líquida (de Bauman) é uma polis atualizada – tecnológica e cientificamente falando – igualmente escravagista, onde poucos trabalham duro (e morrem de fome ou de carências mis), e muitos – dentre eles, os políticos – se locupletam, direta ou indiretamente, em função daquelas camadas carentes eescravas do modernismo autofágico. Não lhes parece um completo e bizarro contrassenso?

Se em tempos históricos clássicos a sociedade (a polis) regia-se pela elitizada e todo-poderosa classe dominante composta pelos nobres e poderosos, em plena pós-modernidade (século XXI) a situação em nada muda, apenas se sofistica (nas manipulações espúrias de corte político) e acaba construindo uma nova classe que reconhecemos como a do «escravo tecnologizado» ou se se quer, «escravo socializado», formatada para servir e sustentar (agora) a vários senhores que habitam o poder central e suas ramificações periféricas, pelas largas massas ignaras e alienadas em diferentes estágios de putrefação sócio-mental. É, em suma, o«admirável mundo novo», aquele vaticinado pelo visionário e criativo escritor britânico, Aldous Huxley (1937-1963):

Um estado totalitário verdadeiramente eficiente seria aquele em que o executivo todo-poderoso de chefes políticos e seu exército de administradores controlassem uma população de escravos que não tivessem de ser coagidos porque amariam sua servidão (HUXLEY, 1979:6).

Um grotesco cenário sonhado por Huxley há sete décadas, e tornado concretismo puro em nossos tempos hodiernos. O sonho se realizou – infelizmente – e caminha para o seu aperfeiçoamento pelas mentes enfermas de indivíduos ditos ‘humanos’que vêm ocupando posições de poder político em sentido lato, revezando-se nessa longa, desgastante, criminosa e massiva «tortura social», tipificando o indefensável«crime continuado» e – o que é mais degradante ainda – impune.

3. Qual a importância do político e do seu discurso vazio, afinal? [2]

Quando as elucubrações políticas transcendem as fronteiras do seu particularíssimouniverso – onde, via de regra, tudo redunda em benefícios para o grupo político-partidário e seus apaniguados – é ostensivo sinal de que algo não está no seu devido lugar. Aliás, é inusual que a uma ação política corresponda um resultado realmentepositivo para a sociedade – isto é insofismável. Claro que há exceções – como em toda regra –, nada obstante sejam tão insignificantes (quando em comparação com a regra geral) que acabam por ser deglutidas pelo axioma. Goste ou não, concorde ou não, o leitor, se atento à diuturna e histórica dinâmica social, acabará por se convencer da impossibilidade de se contraditar o que acabo de afirmar.

No contexto socioeducativo, em todo e qualquer discurso ou projeto a ele concernente e que vise o benefício da coletividade, predominará sempre e apenas “o discurso político vazio, estéril até que sejam consolidados os ideais e interesses dos grupos dominantes” (ARAÚJO, 2014:206). Note-se que o texto refere ao âmbito educativo do século XIX (Brasil Imperial) e que, curiosamente, reflete uma realidade mui similar à existente em nossos dias. Quiçá a representação imaginária daquela perca para a realidade hodierna, mas certamente que se assim o for, os condicionantes que hoje vogam mostrar-se-ão muito mais contundentes, excludentes e detratores do que os daquela longínqua época.

A quem devemos debitar esta curiosa e bizarra situação? Ao político e às suas políticas. Os documentos daquele então expõem a flagrante dessintonia entre o discurso oficial e a prática efetiva “tanto em relação à unificação do ensino quanto àformação e valorização dos professores para a instrução primária, entre os elementos constitutivos da estrutura vigente e as promessas de modernização, de regeneração social” (Ibidem) [grifos nossos]. E hoje, por algum remoto acaso, algo mudou nesse cenário? Definitivamente que não! Ao contrário, houve retrocessos e deturpações grosseiras na sagrada ciência educativa. Cite-se, como um dos exemplos mais recentes e bizarros que identificam a tendência institucional desse governo que aí está desde 2003, a famigerada Resolução 12 do Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Travestis e Transexuais, cujo teor orienta escolas e universidades a garantir o acesso e o reconhecimento desses estudantes em suas dependências. Você, leitor/leitora, acredita que isto seja REAL? Pois acredite, porque efetivamente é norma oficial, publicada no Diário Oficial da União, no Programa Nacional de Direitos Humanos, Decreto nº 7.037, de 21 de dezembro de 2009 (JUSBRASIL, 2009), chancelado pela Resolução Nº 12 de 16 de janeiro de 2015, com fulcro no Decreto nº 7.388 de 9 de dezembro de 2010, e fundamentado no Parecer CNCD/LGBT nº 01/2015.

Grosso modo, por estas determinações normativas extravagantes e segundo as tendências vigentes em meninos e meninas que não aceitam sua natural constituiçãobiológica:

1. Pelo art. 1º deste curioso e mirabolante diploma legal, “instituições e redes de ensino, em todos os níveis e modalidades”, deverão garantir “o reconhecimento e adoção do nome social àqueles e àquelas cuja identificação civil não reflitaadequadamente (sic) sua identidade de gênero, mediante solicitação do próprio interessado” (CNCD/LGBT, 2015:1) [grifos nossos]. Similarmente se aplica a estes cidadãos a liberdade de utilizarem as instalações sanitárias invertidas, i. E., sujeitos masculinos utilizarem sanitários femininos e vice-versa (!). “O que que é isso minha gente?”, diria o festejado radiojornalista esportivo, Geraldo José de Almeida, em suas entusiásticas intervenções futebolísticas que marcaram época nos idos dos anos 60 e 70 (SOARES, 1994:68). Inimaginável!

Nosso comentário: Portanto e teatralizando, Joãozinho e Mariazinha, estudantes-mirins, nasceram biologicamente perfeitos (masculino e feminino, respectivamente), mas, por um capricho do destino, suas tendências sexuais foram invertidas. Assim, Joãozinho decide que seu nome social será Mariazinha, e esta decide que seu nome social será Joãozinho. Expressão da livre-vontade do paciente e que, por isto e só por isto, o legislador (obtuso) lhes permitirá assumir o tal nome social, frequentar o sanitário inverso, vestir-se e inter-relacionar-se adequadamente à sua realidade sexual, enfim, comportar-se como indivíduo do sexo oposto ao da sua genética natural. Pode? Sim, agora pode!

2. Outro aspecto é destacado por Bruno Eizerik (presidente do Sindicato do Ensino Privado, do Rio Grande do Sul – SINEPE-RS) e merece atenção. Alega o educador e administrador que “o documento [supracitado] concede autonomia de decisão para os adolescentes, e lamenta que as escolas não tenham sido convocadas para um debate prévio” (ROSO, 2015, s/p). Assiste-lhe toda razão.

Nosso comentário: Trata-se de medida que afeta não apenas os diretamente envolvidos no imbróglio, mas também suas respectivas famílias, seus núcleos sociais, sua própria consciência – em idade infantil e adolescente nem sempre solidamente formada e fundamentada –, dentre outros fatores interferentes não menos importantes. Em suma, dita medida legal arbitrária (encabeçada pela Presidência da República), intempestiva e grosseira, poderá render no incerto futuro grandes dissabores para todos os envolvidos direta ou indiretamente, significando dizer que tal propositura (tornada norma institucional) agride o bom-senso e o equilíbrio das relações intersociais, debitando a principal fatura onerosa aos próprios envolvidos, vítimas da insânia política oficial.

Lésbicas, homossexuais, transexuais, travestis, sempre existiram e continuarão a existir. É uma questão que pertence à espécie humana e que sempre marginalizou (e penalizou) todos aqueles que não poderiam ser considerados “normais” pelos costumes assentados no seio da sociedade dos homens, ao longo dos seus milhões de anos de existência. Contudo, este não é o espaço adequado para tão vasta, extensa e polêmica discussão. Apenas merece ser mencionado que (novamente) foi a política (e os políticos) que conseguiu tergiversar conceitos, usos e costumes solidamente assentados, criando uma verdadeira “Caixa de Pandora” grotesca, por conta da gana desvairada desses indivíduos e agremiações que visam, única e exclusivamente, seus próprios benefícios e, no máximo, dos seus subservientes apaniguados.

Assim, respondendo à questão-título desta seção, a pretensa importância do político e do seu discurso (vazio) representam uma das maiores e mais peçonhentas falácias criadas pelo próprio ser humano, ao transferir a terceiros, gratuita e levianamente, seu poder de decidir os rumos da sua vida, a dos seus semelhantes e a de toda a sociedade em sentido lato. Irresponsabilidade, descomprometimento, alienação, prostituição social, seriam alguns dos adjetivos que bem poderiam ser aplicados a esta grotesca postura humana. “Pecado” que irá lhe custar, ao longo de toda sua existência, a escravidão institucionalizada e autofágica.

Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem es ou senhores escravos e plebeus da ps-modernidade

4. A título de epílogo da novela humana

Não é extemporânea minha tese “o homem é um projeto mal-acabado” (1976), quando comparado com as mais de oito milhões de espécies que com ele convivem no planeta. Aliás, melhor dizendo, dita tese é atemporal. O que certos autores, em maioria (filósofos, cientistas, estudiosos enfim), têm concordado foi a distinção entrehumano e não-humano em relação à racionalidade do primeiro, como um atributo superior.

Pois bem. Servindo-nos desta premissa, poderíamos então formular a seguinte proposição: se os homens se diferenciam das demais espécies por serem racionais, e se eles são os causadores dos maiores crimes contra a natureza e seu largo rol de espécies, então a racionalidade é intrinsecamente criminosa (KOFFLER, 1976/2015:288).

Neste conflituoso universo de embate constante, a figura do político e da sua (pretensa) ciência política situam-se, então, no ápice dessa pirâmide destrutivapolifágica. Noutros termos, o equilíbrio natural entre essas mais de oito milhões de espécies, em não existindo a espécie humana, seria preservado com o menor impacto natural. E ainda: que a criação da figura humana política e sua pretensa «ciência política», como a entendemos através da história, é a única responsável pelo caos social e natural.

Quem se atreveria a negar?

Notas

[1] Tive a grande honra de ciceroneá-lo numa de suas visitas ao Brasil, por ocasião de um seminário internacional sobre Sociologia Pós-Moderna.

[2] Como ex-professor de três universidades e de um colégio, tenho acumulado larga experiência na análise dos discursos políticos – em temas educativos – e sua total inocuidade em sentido prático. A meu ver, à política nunca deveria ter sido permitido imiscuir-se na gestão educativa de uma nação dita democrática. A expressão popular“cada macaco no seu galho” se ajusta à perfeição a este caso: Político faz política, educador constrói a verdadeira educação – desde e quando, óbvio, não esteja contaminado por ideais travessos e deturpados, capciosos.

Abertura de Cuba e o prêmio “Nobel da Paz” chinês para Fidel Castro: duas feições de uma mesma moeda podre…

Fatos extraordinários que mais despertam a atenção do leitor mais atento e politizado, nos dias correntes, podem ser centrados na “festejada” abertura de Cuba – com a derrubada do bloqueio econômico histórico, imposto pelos EUA a essa paradisíaca ilha caribenha – e a inusitada premiação do agonizante ditador cubano, Fidel Castro, agraciado com a versão chinesa do Prêmio Nobel da Paz: “Prêmio Confúcio da Paz”. Duas flagrantes aberrações que, dentre a enxurrada de incontáveis outras, promovidas pelos desgovernos que hoje (e de há cinco décadas, apenas para fixar um marco mais próximo), literal e insistentemente propõem-se a destruir o planeta e seus habitantes, sentido lato.

O tal “bloqueio econômico” norte-americano sobre Cuba nunca disse mais do que pretendia: uma mera sanção imposta ao governo comunista cubano pelo governo dos EUA e mais ninguém, i.e., quem quisesse poderia livremente negociar com a ilha dos Castro em via única ou em dupla mão de direção, sem qualquer restrição. Para isso estavam os perenes aliados comunistas, representados com maior ênfase pelas potências mundiais, Russia e China. Que tanto lhes faria falta o intercâmbio com Estados Unidos? Absolutamente nenhum. Tanto é assim que, a todo-poderosa ex-URSS como também a China, se bastaram para suprir Cuba de armamentos, contingente humano, gêneros de todas as necessidades, capital para investimento, logística e por aí vai. Em realidade, qualquer festejo dessa tal “abertura” nada mais é do que uma grande e engodada estratégia política para os mais tontos.

Mas, mais grave e espúrio ainda, é o tal “Prêmio Confúcio da Paz”. Este ato, sim, é uma afronta inqualificável ao mundo democrático. É o maior escárnio já feito a todos aqueles que, efetivamente, lutam pela paz e pelo bem-estar da humanidade. E decididamente, Fidel Castro se situa a bilhões de quilômetros de distância desta posição. Que fosse o último sobrevivente dos mais de 7 bilhões de habitantes da Terra, nem assim faria jus a tal premiação – se considerarmos a importância do grande filósofo que foi Confúcio -. Seria algo como premiar o sangrento Lenin, por seus feitos durante a criminosa Revolução Russa de 1917. Ou de coroar o celerado Führer alemão, Hitler, pelo massacre contra judeus durante a II Guerra Mundial. Em suma, se Fidel merecesse essa honraria, então uma série de outras “figuras” grotescas e bizarras poderiam também candidatar-se à mesma, a começar pelo genocida Pol Pot, seu “companheiro” cambojano.

O mundo está literalmente de cabeça para baixo, assim como os valores mais comezinhos da ética, da moral, da verdadeira justiça. A perversão tomou conta de indivíduos que nasceram potencialmente insanos e aos quais apenas lhes faltava o “gatilho” social oportunístico para que dessem vasão aos seus instintos mais selvagens e destrutivos. A lista destes nem é tão extensa, mas seguramente é aterradora. São pragas humanas que, de tempos em tempos, aparecem para comprovar o que sempre defendi a partir da minha tese de 1976: o homem efetivamente é um “produto mal-acabado”.

A bizarra “fotografia” da (inepta, capciosa e perdulária) máquina política governamental…

Um desafio que sequer o imortal Platão explicaria!

(A PARTE I contém informações gentilmente cedidas pelo grande amigo virtual, Victor Ashkenazy [2], CEO da Natun Design and Consulting Ltd., a quem humildemente dedicamos este despretencioso ensaio).

A imagem retrata a capa do meu livro “Ira dos Tempos”, um thriller que reflete fielmente a verdadeira imagem da nossa sociedade humana e sua asquerosa volúpia mesclada com a completa devassidão humana. (***)
(***) – Valor da obra: R$ 30,00 – Contatos: johnny.koffler@gmail.com

PARTE I

S

omos uma sociedade essencialmente miscigenada e, em razão desta característica – associada a vários outros fatores de índole educativo-econômico-social -, são tantas as “raças e classes” que se entrecruzam de há longos 518 anos, que estamos nos aproximando lenta, mas persistentemente, a uma verdadeira Torre de Babel posmoderna.

Em 2017 éramos 209 milhões de habitantes (números arredondados) e, segundo o IBGE, até 2047 deveremos chegar aos 235 milhões, quando então, segundo o referido Instituto em tela, tais números deverão começar a decrescer. Esta larga população espraia-se pela pátria (continental, lembremos) compondo diferenciações estapafúrdias e até criminosas, quando se trata de observarmos a qualidade de vida como parâmetro de comparação: compomos uma sociedade que oscila entre a mais absurda  e criminosa concentração de renda aos mais desumanos e bizarros padrões  de sobrevida em níveis praticamente sub-animalescos gritantes.

No tocante a tais parâmetros, impalatáveis para uma mente medianamente aculturada, há ainda inúmeros outros fatores (qualitativos e quantitativos) que gritam por atenção e correção em regime urgente-urgentíssimo e, saliente-se: de há incontável tempo. Um breve e despretencioso passeio pelo módulo central da mega-metrópole paulistana, já parece ser mais que suficiente para desenhar o cenário restante em que se “acomodam” essas mais de 200 milhões de criaturas ditas humanas. Algo deveras incrível.

Nossa acolhedora nação ostenta outros elementos estatísticos e numéricos que denigrem, em sentido lato, nossa histórica fama de povo  hospitaleiro  e pacífico; “gigante pela própria natureza”; exemplo de  gestão  organizacional; justo, equânime, acolhedor, simpático e alegre como seus afamados festejos ao Rei Momo (mundialmente reconhecidos), sua inigualável qualidade e fama futebolística, sua “[in]justiça social”, etc. Quais elementos seriam esses, desdizendo a questionável “fama”? Vejamos apenas alguns, resumidamente, que consideramos mais pontuais, extraídos de estudos do IBGE [1] , dentre outras fontes dignas de credibilidade:

  1. A partir de 2014 (meados), “o crescimento do produto, da renda e do emprego sofreram um processo de esgotamento e crise”, redundando em aumento dos níveis de desocupação e, dentre suas consequências mais drásticas, a ampliação dos índices de desigualdade social.
  2. Nesse período (2012-2016), nota-se o incremento nos índices de desproteção da população. Em paralelo, os avanços de outros indicadores negativos em relação a: inflação, segurança, educação, infraestrutura citadina e rodoviária (sentido lato), corrupção em amplo termo, desgoverno, criminalidade, insegurança jurídica, descrédito crescente nas instituições públicas governamentais etc.
  3. Um fator digno de destaque – não por qualquer aspecto positivo, mas sim integralmente por seus indicadores negativos – diz respeito ao “inchaço” da máquina pública e sua custosíssima mantença, constituindo-se quiçá no indicador mais grotesco, agressivo e paradoxal, quando em sendo sopesado em relação ao famigerado binômio “custo x benefício” (em que o primeiro elemento – “custo” – é ostensiva e largamente superior ao segundo). Observe-se, neste crítico e específico sentido, a análise escorreita provida pelo estudioso e bom amigo, Victor Ashkenazy [2] (supracitado), verbis:

“A vergonha nacional, matematicamente insustentável. Ainda se representassem o povo e tivessem alguma visão de futuro…

1 Presidente da República 
1 Vice-presidente da República
1 Presidente Câmara federal
1 Presidente Senado Federal 
81 Senadores
513 Deputados federais
27 Governadores 
27 Vice-Governadores 
27 Câmaras estaduais
1.049 Deputados estaduais
5.568 Prefeitos 
5.568 Vice-prefeitos 

5.568 Câmaras municipais
57.931 Vereadores

Total: 70.794 políticos (não estamos falando de nenhum partido de forma específica).

12.825 – Assessores parlamentares Câmara Federal (sem concurso) 
4.455 – Assessores parlamentares Senado (sem concurso) 
27.000 – Assessores parlamentares Câmaras Estaduais (sem concurso – estimado/por falta de transparência)
600.000 – Assessores parlamentares Câmaras Municipais (sem concurso – estimado/por falta de transparência)

Total Geral: 715.074 funcionários não concursados

Gastos em R$… por: …

248 mil por minuto;
14,9 milhões por hora;
357,5 milhões por dia;
10,7 bilhões por mês;

Gasto Total: acima de 128 BILHÕES por ano + 6 BILHÕES do FUNDO PARTIDÁRIO para 2018. Além disso, deve-se computar o rombo na previdência social com suas aposentadorias alienígenas.

35 Partidos registrados no TSE + 73 partidos em formação (!!!) (significa dizer que “partidos” dão “lucros”!!!!!

E o pior, mas muito pior: Governança zero, zero, zero!!!

As perguntas cabíveis diante dessa situação são as seguintes:

– Como é que nós deixamos chegar a esse ponto?

– E até quando?

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PARTE II

Lula da Silva: O mentor e “gênio do mal” deste grotesco cenário.

Duas imagens falam mais do que mil palavras…!

A multidão nas ruas e avenidas em toda a nação são um claro e emblemático sinal do elevado descontentamento e revolta da parcela consciente da nossa castigada pátria!

Se nossa análise pretendesse aprofundar o “affair Lula & petralhas”, certamente que este não seria o lugar adequado para expor, mesmo que em parcos, sumarizados detalhes, uma longuíssima trilha de horrores e crimes continuados de lesa-pátria, solapados pelo capcioso e bastardo manto do  poder e dos conluios  espúrios, torpes e criminosos que vêm sendo  perpetrados ao longo destes últimos quinze fatídicos anos em nossa  castigada pátria – mas que já são reconhecidos como “usos e costumes” em  nações de todo o planeta, a partir do hoje “campo de concentração” em que se transformou a outrora paradisíaca ilha caribenha (Cuba), a partir  da famigerada revolução cubana, nos idos de 1959. Berço atual  do  terrorismo internacional institucionalizado.

Atribuímos esta dificuldade a fatores característicos e tipificadores das asquerosas estratégias dessa politicalha quadrilheira constituída em standard que identifica, indelevelmente, as agremiação comunistas ditas “políticas” (sic), mas que em realidade praticam a mais insana, incoerente, mentirosa e criminosa subversão dos valores mais caros que a humanidade assumiu como os únicos e legítimos parâmetros aceitos na qualidade de inerentes  ao sistema democrático de governança.

A criminosa ideologia-seita marxista-gramscista, elucubrada por mentes enfermas (Marx, Gramsci et caterva), animalescas, irracionais, calcadas no suporte garantido pela gigantesca e potente ex-URSS (hoje conhecida como Federação Russa) – a maior e mais criminosa ameaça à estabilidade do planeta -, tem sido insuportável em suas asquerosas estratégias que visam dominar o planeta, submetendo-o integralmente aos seus tresloucados e insanos planos de hegemonia planetária. Todavia, apesar de até aqui insuperáveis, os sólidos bastiões que sustentam a democracia cidadã – único sistema ainda incólume e saudável para a preservação das espécies – começam a emitir sinais de fragilidade e de esgotamento, desgastados que parecem estar pela insistente e fustigante agressão dessa asquerosa seita essencialmente destrutiva.

A esse processo de fragilização dos fundamentos democráticos, erguem-se como nefastos colaboradores alguns fatores que vêm paulatina e insistentemente corroendo suas bases até então sólidas, a saber:

  • A flagrante, ostensiva e elucubrada estratégia de empobrecimento  dos padrões educativos, já a partir dos primeiros anos escolares. 
  • A continuada (e nem sempre ostensiva) doutrinação  ideológica  em sentido lato.
  • A massificação silenciosa de conceitos, teorías, princípios, axiomas que, subrepticiamente, conduzem à assimilação de ensinamentos  indesejados e até incompreensíveis às mentes menos intelectualizadas.
  • O uso de subterfúgios criminosos num asqueroso sistema de troca de interesses que, na prática, constituem-se em porta de entrada, para a ideologização dos incautos aprendizes… Dentre outros fatores não menos relevantes, mas que descabe mencionar neste sumariado ensaio.

A questão toda se resume, em tese, à constante e insistente deseducação do indivíduo fragilizado por uma sistemática e massificante idiotização cujo escopo é torna-lo uma verdadeira marionete sub-humanaAssim é em Cuba (pós-revolução castrista e castradora), Equador, El Salvador, Bolívia, Venezuela, Nicarágua, Uruguai, Chile, larga parte da Argentina, partes de Colômbia e, a partir de 2003, em nossa própria pátria Brasil, com a ascensão dos governos comunistas, a começar pelo do intragável e asqueroso presidiário, Lula da Silva et caterva!

Saliente-se, por derradeiro, que, segundo minha crítica visão e longa experiência (mais de meio século e em várias nações do planeta), a questão central (falsamente ideológica e, portanto, verdadeira “cortina de fumaça”) reside no próprio cerne do ser humano, remetendo tal impasse, assim, a um difuso e nebuloso limbo ao qual ainda não possuímos acesso e que portanto – e “pelo vagaroso andar da carruagem” – demandará expressivo  lapso temporal  para que alcancemos tal desiderato.

Enganam-se aqueles auspiciosos e sonhadores “filósofos da pós-modernidade”, para quem “já avançamos o bastante para merecermos um novo porvir”! Não nos encontramos sequer a anos-luz próximos deste tão almejado e remotíssimo desiderato. Simplesmente porque somos uma espécie acostumada a retroceder, a involuir, como se a buscar, desesperadamente nossas longínquas e primitivas origens.

(J.Koffler, 1976).

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FONTES

[1] IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101459.pdf. Acesso em: Janeiro/2019.

[2] Victor Ashkenazy. Dados recebidos por mensagem eletrônica.

[3] KOFFLER, J. O homem: esse projeto mal-acabado. Tese de doutoramento. 1976.


A “ARTE” DE MENTIR… SEM FICAR VERMELHO!

Por: Juan Koffler

Excerto extraído e adaptado do texto original de minha tese de 1976 para 2018: “O homem: esse projeto mal-acabado”

Bom dia, minhas caras & meus caros colegas/amigos do espaço virtual! Permito-me compartilhar com vocês um trecho interessante de minha tese de doutorado e de pós-doutorado (1976-1980), titulado acima e bem a propósito dos continuados desmandos hoje (e historicamente) perpetrados por nossos políticos (raríssimas exceções à parte), enriquecendo com uma notícia atualíssima, veiculada em “O Antagonista” e que tem tudo a ver com meu texto. Desde já, agradeço vossos comentários a respeito, em minha página do Facebook onde estou copiando esta notícia.

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Inicio com uma simplória questão: Vocês conhecem a fábula do “pastor mentiroso”? É um famoso conto de autoria de Esopo (620-560 a.C., escravo e contador de histórias) direcionada às crianças. Se ainda não ouviram a respeito, sugiro que a leiam (é curta) e aprendam um pouco sobre a lição ética inserida neste breve conto.

A partir do surgimento desta fábula, passou a mesma a ser aplicada aos mais diversos casos práticos da modernidade e da pós-modernidade, principalmente nas estratégias de educação infantil e com o objetivo maior de ensinar as crianças a ser moralmente equilibradas, especialmente no que concerne à deplorável “mania de mentir”. Foi em razão disso que dita fábula passou a ser conhecida como “a fábula do pastor mentiroso”.

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Quanta falta nos faz hoje, pleno século XXI (nada menos que mais de dois mil anos transcorridos do registro de Esopo e dos Irmãos Grimm)! Principalmente quando nos deparamos (de há longas décadas e em todo o planeta, saliente-se) com a total ausência de moral e de comportamento ético, principalmente daqueles a quem caberia dar o exemplo: os homens públicos (meio em que a mentira tornou-se “usos e costumes” assentados e históricos)!

Políticos e demais atores que vivem do setor público (leia-se: nossos empregados) – nababescamente, saliente-se -, todos indistintamente deveriam passar por rigorosíssimos exames de avaliação dos seus níveis éticos e morais, antes de assumirem seus cargos públicos, sejam estes quais forem; do simplório e simpático porteiro ao presidente da nação.

A propósito, lembremos o que reza o Art. 5º (Título II) da soberana Constituição da República: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:…”. Belíssimo desiderato mandatório! Pena que, na prática, tenha se tornado praticamente “letra morta”!

Nossas autoridades constitucionais (sentido lato), historicamente vêm se comportando como se esta cláusula pétrea fosse não mais do que “a fria e inócua letra da lei máxima” (Koffler, 1976). Noutros termos, “o discurso do Estado sempre foi, é e seguirá sendo ‘letra morta’!” (Koffler, 1985). Até que, num indeterminado dia, “o cântaro” se quebre e tenhamos pela frente uma nova versão da famigerada “Revolução Francesa” (1789-1799) “à brasileira”…!

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Pois bem. A questão de que trata estes ‘post’ tem a ver com a “mentira institucionalizada” nas lides políticas da nossa pátria. Indistintamente, de Norte a Sul, de Leste a Oeste, a larguíssima parcela de políticos “profissionais” (sic) assumiu “a arte de mentir” como seu manual essencial de vida pública. Segundo minha particular visão (compartilhada por milhões), a mentira constitui-se em “ferramenta de trabalho” do político, sempre que a este lhe é interessante em indeterminados momentos da sua gestão. Ora para se autobeneficiar, ora para beneficiar apaniguados, ora como “moeda de troca de favores”. Neste particular sentido, Luigi Anolli (1945-2012) psicólogo italiano, afirmava: “Do cavalo de Tróia até a maçã de Eva, até o nariz de Pinóquio, a mentira sempre foi parte integrante de nossa vida social. Obriga-nos a nos confrontar com a verdade e a confiança, com liberdade e credibilidade no relacionamento com o outro e com nós mesmos”. Já Arturo Graf (1848-1913), outro festejado escritor italiano, em sua obra Ecce Homo (“Eis o homem…”), assim se expressa a respeito da política: “Em geral, a política comum é a arte de levar adiante, de mãos dadas, a verdade e a mentira, de forma que quem as vê passar não sabe distinguir qual delas é a verdade e qual a mentira” (in: Anolli, L., “Mentir: todos mentem, até os animais”, 2004:156).

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Para encerrar, em suma, este breve desenho a traços livres sobre a mentira, nada melhor do que uma piada, a fim de alegrar o triste cenário construído ao redor dessa classe tão desprestigiada e, curiosamente, que pouco ou nada se importa com essa sua “etiqueta preta”.

“Um avião decola de Brasília lotado de políticos. Durante o voo uma pane no motor provoca a queda do avião, que cai numa floresta nos confins de Minas Gerais. Dois caipiras que estavam pelas redondezas veem o desastre e correm para o local. Imediatamente tratam de enterrar os corpos de todos os políticos.

Algumas horas depois chega a primeira equipe de socorro e um dos homens pergunta:

– Foi por aqui que caiu um avião?

– Foi, sim sinhô! – respondeu um dos caipiras.

– E onde estão os passageiros?

– A gente interrô eles, sinhô!

– Mas vocês não viram se nenhum dos políticos estava vivo?

– Óia, sinhô, quando nóis preguntô, até que uns levantaram as mao, mas o sinhô sabe, político é tudo mentiroso!!!” (Piadas Mix 7: leve o riso e a alegria para todos os lugares com o melhor humor da Internet! Organizado por Walter Sagardoy. São Paulo: Clio Editora, 2011, contracapa).

Dispensa maiores comentários ou explicações…

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Aguardem, porque doravante e a partir deste pequeno “causo”, publicarei toda semana um novo, sobre políticos, mentiras etc., a fim de construir uma “corrente da ética” que “higienize” essa politicalha vagabunda que vem nos corroendo as entranhas. Espero que, a cada dia, juntem-se mais cidadãos de bem a este nosso grupo em defesa da moral, da ética, dos bons costumes e de uma política totalmente isenta desse sem-fim de maracutaias que somos forçados a aturar, por conta dessa “classe deletéria” que infesta nossa pátria!

Selva!

Almagro: Cuba enseña a torturar, perseguir y asesinar en Nicaragua y Venezuela

Isto já é mais conhecido há mais de 50 anos! Todo o continente Sul e Centro-Americano, assim como todo o planeta, sabe disto, mas NUNCA fez absolutamente NADA para contestar e fazer cessar tais desmandos do regime castrista e CASTRADOR!!! América do Sul NÃO SERÁ ASSIM, NUNCA! Lutaremos para expulsar todos aqueles que intentam colocar-nos o jugo do comunismo RAIVOSO E DESTRUTIVO!!!

The Bosch's Blog

Luis Almagro alertó que el régimen de Cuba, la “dictadura más antigua en el hemisferio”, está “exportando silenciosamente al resto de la región”, su violencia y crímenes de lesa humanidad, haciendo énfasis en Nicaragua y Venezuela.

Luis Almagro, secretario general de la Organización de Estados Americanos (OEA) habló hoy en Washington sobre la situación de derechos humanos en Cuba, la criminalización de la libertad de expresión, la situación de los presos políticos y la responsabilidad de los opresores, para visibilizar al régimen cubano ante la comunidad internacional.

Almagro alertó que el régimen de Cuba, la “dictadura más antigua en el hemisferio”, está “exportando silenciosamente al resto de la región”, su violencia y crímenes de lesa humanidad, haciendo énfasis en Nicaragua y Venezuela.

“En Nicaragua, hemos escuchado testimonios de víctimas de tortura que cubanos estuvieron presentes mientras los torturaron. Cuba es enemigo de la democracia y de los derechos humanos en…

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