O que há de errado com o discurso social e a Justiça?

Primeira Parte: Preliminares…

Brasil – Junho, 2019.

Themis e sua balança da equidade…(???)

Quem se habilita a jurar sobre uma Bíblia, que sim, existe Justiça na sociedade humana? Deixemos de lado toda nossa histórica bagagem de experiência multinacional e detenhamo-nos a refletir sobre esta assertiva-desafio. Eis nossa proposta para este despretencioso arrazoado.

I

Desde os tempos primeiros da espécie humana – a partir dos vestígios dos primitivos primatas (algo em torno de trinta milhões de anos) [Lévêque, 1987:08] (hordas e aldeias da Idade da Pedra) – até os dias atuais, os hominídeos surgiram e foram se aperfeiçoando (sic) ao longo desse largo lapso temporal, até alcançar nossa classificação em vigência: Homo Sapiens Sapiens, no continente africano (isto, claro, condensando o longo trajeto histórico, para situar-nos em posição tal que possamos, sem delongas, abordar nossa temática principal).

“A linhagem dos hominídeos surge no continente africano. […] A necessidade de adaptar-se a um meio mais aberto teria posto em marcha o processo de humanização e diferenciado o ramo dos Australanthropos – precursores do Homo – o que dará lugar aos macacos superiores africanos, gorilas e chimpanzés”.

“Assim, pois, desde o princípio a história do homem é a história das suas faculdades (capacidades) de adaptação ao meio em que vive”. […] Logo surgirá o Homo Habilis – o primeiro com o prefixo “homo”. E há dois milhões de anos aparece o Homo Erectus [provavelmente a quem coube a invenção do fogo]. […] Há 100 mil anos surge o Homo Sapiens Neanderthalensis e por fim, a seguir, o Homo Sapiens Sapiens – a raiz dos nossos ancestrais.

Resumidamente, este seria o trajeto pré-histórico presumido dos nossos antepassados primitivos. Claro que há autores que divergem deste “roteiro”, mas, em largos traços, há poucas diferenças entre as grandes etapas da evolução humana. E tampouco é nossa intenção aprofundar o tema, mas apenas motivar o leitor a prestar a devida atenção ao comportamento do seu entorno humano (sejam parentes, amigos, colegas etc.).

II

Segunda-parte: Gravíssimo erro de projeto

Esse humano nada humano…

Dos conflitos interpessoais…

Os conflitos interpessoais existem desde sempre; fazem parte dos usos e costumes humanos desde priscas eras. São, em suma, fruto da livre expressão da característica principal do ser humano: seu livre arbítrio e sua liberdade de pensamento, expressão e ação (escrita, falada ou simbolizada por uma atitude que denota, conforme seja o caso em foco, desconformidade ou conformidade com a expressão de outrem).

Pode se afirmar sem qualquer temor que “ser humano” e “animosidade comportamental” são características intrínsecas à nossa espécie – acompanhada pelos estudiosos praticamente desde que ela existe. Daí a profusão continuada de embates beligerantes pelos mais variados motivos: conquista de espaços físicos para ampliar as áreas de influência de determinada tribo; asseguramento de fontes alimentares para subsistência; acumulação de poder representando um diferencial competitivo sobre as demais tribos; dentre tantos outros argumentos (alguns inócuos, outros torpes, outros ainda mal-intencionados e, por sobre todos eles, a supremacia da inveja, do ódio gratuito, da desmedida ânsia de poder pelo poder, o simples desejo de dominar por dominar, tornando escravos os povos dominados).

Pois bem. Desde esses longínquos tempos, o humano (descendente do Homo Sapiens Sapiens) primou por seus esforços predominantemente egocêntricos, desprezando o fator diversidade, isto é, que ele, como pretenso dominador da natureza e dos seus seres vivos, não passa em realidade de mais uma espécie com suas características diferenciadas. E mais: que, considerando-se a existência de incontáveis outras espécies de seres vivos que com ele coexistiam (e coexistem), deveria pautar seu comportamento com muito critério e respeito pelas demais espécies, dentro de uma certa harmonia existencial.

Todavia, na prática os registros históricos mostram uma inter-relação (entre o Homo e as espécies coexistentes) de constante conflito (lato sensu). Suas paixões sempre pareceram dominá-lo, sobrepondo-se à necessidade natural de um convívio de animosidade controlada, pacífica. Mahatma Ghandi (Mohandas Karamchand Ghandi [1869-1948]), festejado e laureado líder pacifista indiano, mentor e responsável pela independência da Índia, deixou para o mundo seu principal legado: a demonstração inequívoca de como sanar conflitos sem recorrer ao embate bélico (portanto, por vias pacíficas). A independência da Índia, até então sob jugo britânico, foi por ele conquistada de forma integralmente não violenta, registrada pela frase lapidar:

“Dominar as paixões mais ocultas me parece muito mais difícil do que conquistar militarmente o mundo com a força das armas” (Ghandi em “Todos os homens são irmãos” [SANTOS, 2003:13]).

Convenhamos, um pensamento-reflexão que bem mereceria ser transformado em dogma obrigatório a ser praticado por todas as nações civilizadas do mundo democrático. Não lhes parece? Pois é…

III

Terceira parte: o custo elevadíssimo de sermos humanos

Em que momento da nossa história, perdemos nosso rumo como espécie?

“O século XX foi o mais sanguinário dentre os registrados na história moderna. O número total de mortes causadas por (ou associadas às) guerras está estimado em 187 milhões, o equivalente a mais de 10% da população mundial de 1913. Se situarmos seu início em 1914, foi um século de guerra quase ininterrupta, e houve poucos e breves períodos em que não havia algum conflito armado organizado em alguma parte”.

Observem que apenas estes dados ora expostos já serviriam como indicadores mais que cristalinos sobre esse pesadelo cognominado de “política”. Sim, pesadelo, eis o adjetivo que melhor se adapta à realidade desse verdadeiro cancro social. Já veremos o porquê dessa assertiva, desde já ficando registrado que tal teoria é de nossa lavra e ainda não a submetemos aos necessários testes de re/ratificação que nos permitam afirmar ou negar, fundamentadamente e em bases científicas, sua veracidade ou falsidade.

A multidão sem rostosem passado… sem futuro…

Um simples raciocínio lógico, despretencioso, já seria o bastante para que um indivíduo de capacidade intelectual mediana compreendesse o verdadeiro significado das “multidões uivantes”. (J.Koffler, 1976)

Tentemos, agora sim, responder à questão formulada no título deste singelo arrazoado: O que há de errado com o discurso social? Em primeiro lugar, entendemos por “discurso social” todo e qualquer raciocínio desenvolvido para ilustrar determinada situação humano-ambiental, conferindo-lhe o status de verdade acatada e popularmente compartilhada, isto é, com validade assimilada e aceita pelo contexto social predominante (majoritário). Ilustrando com um pensamento da nossa lavra: “Não há político honesto; todos são corruptíveis em maior ou menor grau”. E como obrigatório complemento: “Todo indivíduo humano, em tese, está sujeito à corrupção; basta que o momento escolhido e a proposta aliciadora ocorram no timing certo” (J.Koffler – in: “O homem: esse projeto mal-acabado” – 1976).

Tal assertiva (a título de ilustração) é facilmente comprovável; basta observar o dia-a-dia de qualquer político para perceber que a honestidade é qualidade raríssima nesse meio, e mais: que a honestidade é incômodo óbice à persecução de objetivos que mantenham em grau elevado o “prestígio”, associado ao desempenho necessário daqueles que militam nesse restrito universo e almejam nele persistir e triunfar.

Um decano professor de Filosofia dos meus tempos de Academia, tinha o saudável costume de ingressar à sala de aula e, a título de introito, propor sempre uma questão (não raro, de teor polêmico), lembrando-nos: “Ao final da aula, lembrem que na próxima deverão me apresentar por escrito um resumo de análise crítica do texto ora entregue”. Creiam-me: tal tarefa era sempre prenúncio de um labor extenuante. Mas também trazia em si suas compensações que, a posteriori, iriamos penhoradamente agradecer. Penso que não seja preciso, por enquanto, dizer mais nada, pois não? No devido momento e num texto sequencial a este – caso realmente haja resposta positiva dos leitores que peçam dita sequência -, apresentarei minhas considerações e análise final sobre a presente discusão.. Cabe, agora, ao leitor tomar essa decisão: se deseja ou não saber da sequência deste singelo e despretencioso arrazoado.

Com a palavra, portanto, o leitor. A decisão está em suas mãos…

Bibliografia

HOBSBAWN, Eric. Globalização, A guerra e a paz no século XX” in: P. S. Mingotti, Globalização, democracia e terrorismo. 8 ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

LÉVÊQUE, Pierre. Las primeras civilizaciones: desde los despotismos orientales a la ciudad griega. Tomo I, Madrid: Presses Universitaires de France/Ediciones Akal, 1987.

SANTOS, Teresa Farnós de los. Las raíces psicosociales y culturales de la violencia. In: Revista “Documentación Social – Revista de Estudios Sociales y de Sociología Aplicada”. Madrid: Caritas Española Editores, 2003.

KOFFLER AÑAZCO, Juan Y. O homem: esse projeto mal-acabado. Tese.


			

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