De “Causos” e “Coisas”…

Em 20/01/19 – 10:25 AM

Um breve ensaio sobre “causos” e “coisas” que sempre inquietaram minha castigada alma…

Infelizmente, nasci assim… Não foi minha escolha (como a nenhum ser humano lhe é permitido escolher certas condições) e – hoje percebo muito bem isso, aliás de há 60 anos (quando tinha apenas 11 anos) – nunca seria, se considerada minha longa experiência como “humano” racional e inteligente.

Uma primeira (e trágica) constatação-questão: Por que “festejam” tanto o fato de o humano ser “racional e inteligente”, atribuindo a estas características biopsicológicas (em relação às demais espécies, ditas “inferiores”[sic]) uma condição de “diferencial competitivo”?

Que parte é essa que eu, em meus 73 anos (muito bem vividos, diga-se de passo), não consigo compreender, assimilar e – o que é muito pior – acatar como verdadeira? Onde residiria esse “diferencial” que, na vida prática e em comparação à irracionalidade animal, nos faz supostamente merecedores de ocuparmos o ápice dessa tal “pirâmide” (sic)? Sincera e humildemente, curvo-me ante minha ignorância e confesso nunca ter entendido tal “diferencial” (sic). Observem, analisem e constatem:

  1. Relações familiares – Consideremos um cenário atual. No período compreendido entre o nascimento do novo indivíduo e sua puberdade, praticamente todos os costumes e regras educativas (em sentido lato) emergem de fontes distintas (progenitores, parentes próximos, professores, relações externas [amigos, colegas, vizinhos] e outros). Imaginem, por um fugaz instante, como deve reagir a mente deste novo ser em formação! Consoante minha humilde sensibilidade, deve ser algo mui semelhante ao caos mental. Noutros termos, a “construção” de conceitos básicos do novo ser advém de uma verdadeira miscelânea de fontes, geradas por diferenciados conhecimentos, sensações, sentimentos, revoltas, depravações, “you named!” (diríamos em inglês, a fim de mostrar o imponderável). Algo deveras inusitado!
  2. Portanto, deste inextricável cenário surgem os fundamentos que permitem reafirmar a teoria preponderante e histórica, que determina em frias palavras: ***quem “forma” o indivíduo não é exatamente  sua família, sua educação parental e sua educação formal, mas a sociedade em que está  inserto, desde que nela aparece (nascimento) e dela participa, até que dela desaparece (morte). Algo que me parece, sinceramente, incontestável.
  3. Outra constatação que, usualmente, soi ser menosprezada: a partir do momento em que o novo  ser passa a integrar-se em sua micro-sociedade  (lá pelo jardim de infância), grande parte das lições  educativas começam a ser “naturalmente”  contestadas mediante a contraposição de outros  “perfis educativos” com os quais o novo indivíduo passa a compartilhar suas experiências. Uma  espécie de “desafio” à educação parental, colocando-a à prova das naturais interferências externas que,  a partir daí, ocorrerão cada vez com maior  frequência e poder de influenciação.

 “Assim, a “construção” de um novo ser, ademais de  constituir-se num agregado de características  provenientes da sua formação genética (paternal-maternal-familiar), carrega em si um volume  substancial de interferências externas (muitas não  desejadas) imponderáveis e de difícil manipulação.  Fator que dificultará, já num futuro próximo do novo  ser, sua mais perfeita adaptação ao mundo que o  rodeia”.

(Todas estas citações são retiradas de estudos do autor J.Koffler).

A título de inferências finais…

Ninguem me fará acreditar, nunca, na estória de um “ser superior. E, acreditem-me, isto tem me trazido alguns inconvenientes e “caras feias” (principalmente como professor do segundo e terceiro graus). Mas, como meus meio de subsistência não advêm dos bolsos da sociedade, mas sim do meu próprio esforço e suor, não tenho com que me preocupar.

Alcancei meu patamar de septuagenário por minhas próprias pernas e capacitações. Não por “milagres” nem rezas continuadas; tampouco por devoção a qualquer “deus” (ou por falta de devoção). Se estou no patamar sócio-econômico que ocupo é em razão única e exclusiva dos meus próprios erros e acertos; admito-o e sinto-me muito bem por isso.

Mas há algo que, sim, me incomoda muito e sempre me incomodou, desde que ainda era criança: ***os claros sinais de marginalização que certas parcelas da sociedade têm me demonstrado ao longo de toda  minha existência; algo sinceramente inexplicável e  incompreensível. Bizarro, até. Mas, assevero-lhes, nunca  passou disso: mero e passageiro incômodo.

Primeiro, porque tal postura discriminatória é idêntica à que se demonstra, por exemplo, por pessoas de cor, ou de outras nacionalidades, ou “baixinhas”, ou “gordas”, ou “ignorantes”, ou gagas, ou surdas, ou mudas, ou homossexuais, ou mancas, e por aí vai. Atribuo a estas posturas discriminatórias a “qualidade” (sic) de “ignaras”; simples assim. São, enfim, posturas que não merecem mais do que breve comentário depreciativo.

Sou radicalmente contrário à existência de uma classe política” e explico o porquê:

  • “Político” não constitui “classe”, simplesmente porque não cumpre qualquer pré-requisito (qualquer um pode fazer parte); daí que a “liberdade” em se ocupar um lugar/cargo político pode tanto ser de um marginal (enrustido ou ostensivo), um embusteiro nato, um mal-intencionado, um ignorante por natureza, um interesseiro sem qualquer espírito cívico e patriota; e por aí vai. Ao não se pré-determinarem qualidades, expertises, perfil psicossocial, dentre outras características personalíssimas que fundamentem sua escolha, cai-se literalmente na vulgarização da posição, retirando-lhe qualquer valor que a faça “honorável” (como se pretende, em tese, que seja).
  • Historicamente observado, a libertinagem que vige nesse ambiente e o perene conluio que o acompanha como pano de fundo, tornam esse “estrato social” um legítimo “poço escuro e sem fundo” que, ao longo da sua milenar existência, sedimentou-se sem qualquer normatização que o valha como tal. Depreende-se daí que o conceito (e a posição) de político são fundamentados apenas nas próprias crenças e valores vigentes entre seus componentes. Noutros termos, diferentemente de toda classe social profissional, a classe política aceita qualquer candidato, independentemente de  sua “folha corrida”, do seu histórico pessoal, dos seus feitos pregressos que o qualificam como cidadão  exemplar, do seu expertise técnico-científico em  determinados temas e qualificações, do seu histórico de contribuição concreta para o bem social.
  • A permissividade social que caracteriza o grupamento humano em sentido lato, associada a uma cultura cada vez mais paupérrima; a uma ostensiva deterioração dos valores mais primários; à própria desagregação social (a partir do seu núcleo básico, a família tradicional); à deterioração cultural em todos os níveis; ao processo crescente de desagregação familiar; ao crescimento ostensivo dos padrões de mercantilização humana (“todo homem tem seu preço; a questão é descobrir  qual é”); à fluidificação das relações sociais (“sociedade líquida” – Sygmunt Bauman); dentre tantas outras novas características de nossa sociedade terráquea, apontam apenas para um inevitável destino: a implosão da sociedade  humana.

Claro que um processo de implosão social não ocorre assim ao bel prazer nem à hora que alguém determine aleatoriamente. Tal processo, em realidade, já se iniciou há bastante tempo e segue seu curso firmemente determinado a concluir-se. Seja em razão de um desastre ecológico de proporções gigantescas; de um conflito bélico mundial (desta feita, atômico e finalístico); de uma conjugação de pragas; de uma associação entre a contaminação de fontes alimentares e aquíferas, com poluição fatal da atmosfera (ar respirável); ou ainda – e bastante provável – do somatório de dois ou mais destes fenômenos.

Não pensem, todavia, que isto tenha data e hora marcada para ocorrer. Mas façam um exame simplório e nada científico, acessível a qualquer indivíduo que seja minimamente aculturado, e constatarão como é claramente viável e mais que possível que isto ocorra. A qualquer momento. Motivos sobram e acumulam-se à medida em que transcorre nosso “cronômetro vital”.

Tic-tac… tic-tac… tic-tac… Quem viver até lá, infelizmente verá e sentirá na própria pele…

Tenham todos uma ótima semana!

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