Descrença… um sentimento crescente envenenando a Humanidade…

“A paz só se alcança quando a morte nos chega, libertadora…” (J.Koffler, 1981).

​Sabem o porquê de o humano…

  1. ser, ele próprio, descrente da espécie?
  2. ser alienado, idiotizado, egocêntrico, asqueroso, destrutivo e auto-destrutivo, entre outras “qualidades” (sic)?
  3. não merecer prosperar nesta sua longa, destrutiva, infame e asquerosa existência?
  4. nunca alcançar a plena felicidade que tanto procura?
  5. de a vida do humano ser tão carregada de desgraças, doenças, tristezas, desilusões, sonhos truncados, guerras estupidificadas, conflitos intersubjetivos, discórdia familiar perene, desagregação social, sofrimento… sofrimento… sofrimento?

A resposta é extremamente simples: 

Porque o ser humano, diferentemente dos demais animais, é racional e inteligente; possui cobiça, inveja, ciúme; ganância; come sem ter fome; bebe sem ter sede; é essencialmente egocêntrico; e acredita num “deus” e numa vida após a morte!

O indivíduo humano não respeita absolutamente NADA para alcançar seus próprios e (nem sempre) honestos objetivos. Sua desmesurada ânsia em acumular bens, riquezas e benesses, fazem dele o que realmente é: 

—> O maior predador do planeta! 

—> O mais cruel, destrutivo e invejoso ser abjeto dentre todas as demais espécies! 

—> A bizarra “criação” (sic) de um pretenso “ser superior” que, segundo os “ensinamentos deste, foi moldado “à sua imagem e semelhança”! Um autêntico e bizarro paradoxo, convenhamos!…

Analisemos: 

a) Um “ser superior” (sic) destrutivo que, a cada “desvio de conduta” de sua “bizarra cria”, usa do seu poder de vingança “divino” a fim de penaliza-lo e até destruí-lo.

b) Milhões de espécies subservientes que, potencialmente, foram “criadas” para atender às necessidades e desejos dessa “bizarra cria” para uso (e abuso) a seu bel-prazer.

c) Um planeta disponível para ser sistematicamente destruído (também levianamente), em ações rotineiras e continuadas durante milênios sem fim. Impunemente.

d) Um universo que, pretensamente, é “Reino” exclusivo desse “SER SUPERIOR” e seus escravizados viventes, sem qualquer razão de ser ou de existir.

E agora, o ápice da PARADOXAL HISTÓRIA HUMANA, apregoada pela religião e infantilmente deglutida por bilhões de indivíduos ditos “racionais e inteligentes”, durante milênios:===> A existência etérea de um DEUS todo-poderoso, criador dos céus e da Terra, que reina eternamente sobre esta sua criação. 

***Mas, espera um pouco – questionaria um extraterrestre sem entender nada -: de que galáxia estamos falando? [veja meu artigo “Universo, incompreensível Universo…”]. Sim, porque há incontáveis galáxias que, em seu conjunto incomensurável, compõem o que conhecemos como universo. Algo infinito, inexpugnável, imensurável, incompreensível em sua essência primária. Então, falamos em quê afinal? Num cantinho dele? Num específico setor dele? Numa partícula específica de pó cósmico em que estamos inseridos? Ou numa ficção? 

… Somos uma molécula perdida em zilhões de milênios e em “enelhões” de galáxias. O universo é infindável. E temos a petulância de delimitar esta “realidade” aos contornos meramente humanos????? Não seria exagerada essa petulância? Não seria absurdo e totalmente irracional pensar que estamos sós neste universo? Afinal, qual o REAL conceito que temos de nós?

Pois bem, permito-me expressar minha humilde opinião:

a) Somos um dos mais insignificantes planetas existentes em nossa galáxia. Temos apenas a vantagem de possuirmos uma atmosfera “respirável” (para nosso sistema, claro). Haverão outras criaturas que não suportem nossa atmosfera.

b) Existimos (como planeta) há bilhões de anos e pertencemos ao sistema Solar. Somos, portanto, regidos por este. 

c) Somos classificados (por nossos cientistas) como “racionais e inteligentes”, tomando por base o conjunto de espécies que conosco convivem.

d) Em razão da capacidade cognoscente e do raciocínio lógico e cumulativo, “construímos” nosso habitat, nossos hábitos e costumes, nossas vivendas, nosso “modus vivendi” em suma.

e) Dentre as espécies que conosco convivem, somos o maior e mais perverso predador.  Motivo: somos a única espécie que mata por prazer, por esporte,  por dinheiro; por diversão, por paixão, por cobiça, por inveja, por ódio, por mera exacerbação e, até, por simplesmente não ter nada melhor a fazer!

g) Estupramos, violentamos e torturamos até nossos próprios familiares; nossos animais  ditos “de estimação” (sic)!

QUE ESPÉCIE, AFINAL, É A NOSSA??? “Homo Sapiens” ou “Homo Brutus”???

Minha teoria em breves traços, gestada em 1976…

Sempre chamou-me a atenção o aspecto comportamental do humano: volúvel, facilmente mutável (inconstante, inseguro), extremista (da passividade extrema à virulência máxima, não raro em curto espaço de tempo), egocêntrico. Inusitado e, em certos casos, até desconexo, irracional.

Desde cedo, minha preocupação passou a ser uma constante em relação, principalmente, a dois segmentos da sociedade humana: o trato com os animais (especialmente os domésticos ou abandonados) e a falsidade (a olhos vistos) com que os humanos “enxergam” o seu entorno – o “resto”. Estes fatores foram os primeiros alertas que indicavam minha posição em sociedade: contestador, a partir da premissa constatável “a olho nu” de o humano praticamente não respeitar absolutamente nada (ele incluído nesse universo).

A partir daí, mas ainda um pouco imaturo em termos vivenciais e experienciais, passei a observar o humano como um “ratinho da índia” num laboratório experimental – o próprio ambiente da sua convivência. Eis o ponto de “start”. O desafio estava lançado.

Violência, violência, violência…

Estranhíssima esta percepção: (a) as rígidas ordens domésticas que, se não cumpridas a contento, rendiam palmadas, cintadas e até “reclusão” (em casos mais “delicados”); (b) castigos escolares (como ficar olhando contra a parede – de costas para os colegas – ou ajoelhar-se sobre grãos de milho), em sala de aula; (c) proibição de brincar, ir ao cinema aos domingos ou jogar futebol na parte da tarde, nos casos em que se cometia algum deslize não admitido no âmbito doméstico; (d) menosprezo familiar (quando se respondia – deseducadamente – aos pais); (e) internato (semi ou integral) em colégios, quando a desobediência atingia “níveis insuportáveis” (segundo a visão e parâmetros parentais); (f) desterro, quando o volume de desobediência superava todos os ditames comportamentais, ademais de atingir graduação insuportável no convívio doméstico, prejudicando “a paz e o equilíbrio familiar”.

Com variações para mais ou para menos, de modo geral esta era a rotina educativa que comandava os lares classificados como de “classe média”, nos idos das décadas de 50, 60 e 70 do século passado.

Mas isto não era tudo. Havia também a rotina do convívio social. Na inter-relação comportamental, no espaço social de lazer, diversão, esporte etc., a violência assumia novos e diferenciados matizes, longe do olhar da tutela parental ou educativo-formal. Noutros termos – e segundo minha visão e experiência – é neste cenário que irão se desenvolver e sedimentar os mais perigosos traumas psicossociais – salvo melhor juízo, claro.

A meu ver, toda a educação até aqui construída (com seus traumas, complexos, medos, sonhos [truncados e realizados], inseguranças et alii) ingressa, então, ao período que cognomino de prova de fogo. Nos períodos precedentes, aprenderam-se e sedimentaram-se usos, costumes, manias, medos, complexos, inseguranças, sonhos, expectativas. Neste, situa-se o inter-espaço transicional, que escancara o portal de acesso à vida adulta e independente, quer se queira, quer não. É o rompimento das amarras que mantinham o indivíduo num “porto seguro” (a família); doravante seu voo será solo, sem bussola sem compasso, sem radar, sem IFL, sem ILS. A cegas, completamente!

Instrumentos de navegação: IFL e ILS.

A vida como ela é: o adolescente vira “adulto”…

O “voo solo” é, segundo minha visão e longa experiência vivencial, um período de alta tensão inicial, acompanhado de incertezas, de inseguranças, de titubeios e de uma inconsciente vontade de voltar ao passado. Ao aconchego do lar, à segurança prestada pelos progenitores, aos confortos econômicos/financeiros sem qualquer responsabilidade própria, ao menosprezo pelo futuro. Façamos uma singela e ilustrativa comparação (retirada de uma experiência própria):

Quando frequentamos o Curso de Piloto Privado [PP] (lá pelos idos de 1968), depois de superadas as massacrantes e críticas aulas teóricas (que envolviam matérias como: meteorologia, física, aerodinâmica,  mecânica de avião, navegação,  dentre outras), tínhamos ainda o  pré-requisito de 40 horas práticas.  No último exercício de “pouso e decolagem” com instrutor,  a critério deste, em determinado momento desta etapa  final de treinamento o mesmo ordenava pousar mas não estacionar;  então o instrutor descia da aeronave e dava a ordem “arremeta!”,  afastando-se da pista de rolagem. Você, instintivamente, era forçado (ao ver-se só)  a retomar a decolagem, em seu primeiro voo solo.  Quando recebia a ordem de pousar, vinha a festa: o tão esperado “banho de óleo”! Que indicava ter superado todas as provas inclusive a final, prática. Você enfim tinha se tornado um piloto privado!

 Pois bem. Pessoalmente, esta foi também a sensação que senti quando, em impreciso momento, me vi saindo de casa “de mala e cuia”, sabedor de que este passo estava ocorrendo em definitivo e sem retorno. Sensação deveras esquisita – misto de extrema liberdade e aterrador temor ao desconhecido -, mas ao mesmo tempo, exitante e desafiadora (pelo menos para este que vos escreve).

O voo solo, em suma, era o sublime momento em que um adolescente quase adulto tornava-se senhor e responsável por seus atos, assumindo riscos e benefícios, autonomia e independência maior, segurança e instabilidade em suas  críticas decisões. Convenhamos, dito processo de transição não poderia ser entendido como fácil, muito menos, pacífico.

*

Como pode observar-se, através de uma retrospectiva até este momento, todo esse já longo caminho percorrido traz em si mais desafios que vitórias e alegrias. Assim, podemos com um certo nível de segurança e de confiança afirmar: não há períodos de total serenidade, muito menos de total  equilíbrio. A vida racional é uma corrida de obstáculos que só irá serenar com o advento do ato final da tragicomédia humana: a morte!

Qual seria, então, o objetivo da espécie humana?

Bom, aceitando-se que tenha que haver um objetivo para a existência de uma espécie (coisa que, sinceramente, duvido), só posso vislumbrar um único, cabível para nossa espécie: destruição e auto-destruição.

Haverá aqueles que, mais “crédulos”, contraporão: “Mas, e todas as coisas imaginadas e criadas pelo  humano em termos científicos (em todas as áreas  havidas e imagináveis), para que servem afinal? Não  seriam indicativos de avanços rumo a uma sociedade em permanente aperfeiçoamento, melhor, mais justa, mais humana?

A resposta a tão crítica questão parece-me estampada na rotina diuturna de todas as sociedades terrenas, desde que o Homo Sapiens existe:

A caracterização humana é “naturalmente” egocêntrica e advém dos fundamentos essenciais do indivíduo  humano. O centro de todos os interesses que compõem sua existência reside em seu bem-estar, sendo o restante dos seus objetivos meros complementos que contribuem para sua satisfação puramente pessoal.  A escolha dos seus objetivos atende essencialmente a interesses de cunho íntimo, para então, uma vez  satisfeitos, dedicar esforços em favor de outrem.  Dessarte, não se pode asseverar que o ser humano seja  “solidário” sempre, mas sim que ele busca, em  destacado e prioritário lugar, pacificar seus anseios para  então, se possível for, dedicar-se a outrem.

 Que significação possui tal afirmação? Que, ressalvadas as exceções (em menor número existentes), a larga maioria privilegia em primeiro lugar, sua necessidade ou desejo; em  segundo lugar a necessidade ou desejo das suas relações mais íntimas; e em terceiro e último lugar – se houver forte  motivação – a de terceiros (para tanto seguindo uma escala  decrescente, i.e., quanto mais forte o fator motivacional,  maior prioridade lhe será dada ao indivíduo que o provoca). Em stricto sensu, esta é a regra que voga no comportamento humano.

Daí a derradeira e contundente inferência natural:

O humano é ególatra por natureza, invejoso por covardia e inseguro por essência. O animal dito “irracional”,  ao contrário, se basta por si só. 

Infere-se do exposto que: … …

… somos a espécie mais imperfeita dentre todas as demais que conosco convivem, inobstante sejamos – em tese, claro – “racionais e inteligentes”. Um bizarro paradoxo da natureza  dita “perfeita”…

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