A “ARTE” DE MENTIR… SEM FICAR VERMELHO!

Por: Juan Koffler

Excerto extraído e adaptado do texto original de minha tese de 1976 para 2018: “O homem: esse projeto mal-acabado”

Bom dia, minhas caras & meus caros colegas/amigos do espaço virtual! Permito-me compartilhar com vocês um trecho interessante de minha tese de doutorado e de pós-doutorado (1976-1980), titulado acima e bem a propósito dos continuados desmandos hoje (e historicamente) perpetrados por nossos políticos (raríssimas exceções à parte), enriquecendo com uma notícia atualíssima, veiculada em “O Antagonista” e que tem tudo a ver com meu texto. Desde já, agradeço vossos comentários a respeito, em minha página do Facebook onde estou copiando esta notícia.

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Inicio com uma simplória questão: Vocês conhecem a fábula do “pastor mentiroso”? É um famoso conto de autoria de Esopo (620-560 a.C., escravo e contador de histórias) direcionada às crianças. Se ainda não ouviram a respeito, sugiro que a leiam (é curta) e aprendam um pouco sobre a lição ética inserida neste breve conto.

A partir do surgimento desta fábula, passou a mesma a ser aplicada aos mais diversos casos práticos da modernidade e da pós-modernidade, principalmente nas estratégias de educação infantil e com o objetivo maior de ensinar as crianças a ser moralmente equilibradas, especialmente no que concerne à deplorável “mania de mentir”. Foi em razão disso que dita fábula passou a ser conhecida como “a fábula do pastor mentiroso”.

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Quanta falta nos faz hoje, pleno século XXI (nada menos que mais de dois mil anos transcorridos do registro de Esopo e dos Irmãos Grimm)! Principalmente quando nos deparamos (de há longas décadas e em todo o planeta, saliente-se) com a total ausência de moral e de comportamento ético, principalmente daqueles a quem caberia dar o exemplo: os homens públicos (meio em que a mentira tornou-se “usos e costumes” assentados e históricos)!

Políticos e demais atores que vivem do setor público (leia-se: nossos empregados) – nababescamente, saliente-se -, todos indistintamente deveriam passar por rigorosíssimos exames de avaliação dos seus níveis éticos e morais, antes de assumirem seus cargos públicos, sejam estes quais forem; do simplório e simpático porteiro ao presidente da nação.

A propósito, lembremos o que reza o Art. 5º (Título II) da soberana Constituição da República: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:…”. Belíssimo desiderato mandatório! Pena que, na prática, tenha se tornado praticamente “letra morta”!

Nossas autoridades constitucionais (sentido lato), historicamente vêm se comportando como se esta cláusula pétrea fosse não mais do que “a fria e inócua letra da lei máxima” (Koffler, 1976). Noutros termos, “o discurso do Estado sempre foi, é e seguirá sendo ‘letra morta’!” (Koffler, 1985). Até que, num indeterminado dia, “o cântaro” se quebre e tenhamos pela frente uma nova versão da famigerada “Revolução Francesa” (1789-1799) “à brasileira”…!

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Pois bem. A questão de que trata estes ‘post’ tem a ver com a “mentira institucionalizada” nas lides políticas da nossa pátria. Indistintamente, de Norte a Sul, de Leste a Oeste, a larguíssima parcela de políticos “profissionais” (sic) assumiu “a arte de mentir” como seu manual essencial de vida pública. Segundo minha particular visão (compartilhada por milhões), a mentira constitui-se em “ferramenta de trabalho” do político, sempre que a este lhe é interessante em indeterminados momentos da sua gestão. Ora para se autobeneficiar, ora para beneficiar apaniguados, ora como “moeda de troca de favores”. Neste particular sentido, Luigi Anolli (1945-2012) psicólogo italiano, afirmava: “Do cavalo de Tróia até a maçã de Eva, até o nariz de Pinóquio, a mentira sempre foi parte integrante de nossa vida social. Obriga-nos a nos confrontar com a verdade e a confiança, com liberdade e credibilidade no relacionamento com o outro e com nós mesmos”. Já Arturo Graf (1848-1913), outro festejado escritor italiano, em sua obra Ecce Homo (“Eis o homem…”), assim se expressa a respeito da política: “Em geral, a política comum é a arte de levar adiante, de mãos dadas, a verdade e a mentira, de forma que quem as vê passar não sabe distinguir qual delas é a verdade e qual a mentira” (in: Anolli, L., “Mentir: todos mentem, até os animais”, 2004:156).

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Para encerrar, em suma, este breve desenho a traços livres sobre a mentira, nada melhor do que uma piada, a fim de alegrar o triste cenário construído ao redor dessa classe tão desprestigiada e, curiosamente, que pouco ou nada se importa com essa sua “etiqueta preta”.

“Um avião decola de Brasília lotado de políticos. Durante o voo uma pane no motor provoca a queda do avião, que cai numa floresta nos confins de Minas Gerais. Dois caipiras que estavam pelas redondezas veem o desastre e correm para o local. Imediatamente tratam de enterrar os corpos de todos os políticos.

Algumas horas depois chega a primeira equipe de socorro e um dos homens pergunta:

– Foi por aqui que caiu um avião?

– Foi, sim sinhô! – respondeu um dos caipiras.

– E onde estão os passageiros?

– A gente interrô eles, sinhô!

– Mas vocês não viram se nenhum dos políticos estava vivo?

– Óia, sinhô, quando nóis preguntô, até que uns levantaram as mao, mas o sinhô sabe, político é tudo mentiroso!!!” (Piadas Mix 7: leve o riso e a alegria para todos os lugares com o melhor humor da Internet! Organizado por Walter Sagardoy. São Paulo: Clio Editora, 2011, contracapa).

Dispensa maiores comentários ou explicações…

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Aguardem, porque doravante e a partir deste pequeno “causo”, publicarei toda semana um novo, sobre políticos, mentiras etc., a fim de construir uma “corrente da ética” que “higienize” essa politicalha vagabunda que vem nos corroendo as entranhas. Espero que, a cada dia, juntem-se mais cidadãos de bem a este nosso grupo em defesa da moral, da ética, dos bons costumes e de uma política totalmente isenta desse sem-fim de maracutaias que somos forçados a aturar, por conta dessa “classe deletéria” que infesta nossa pátria!

Selva!

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