A LEI, A JUSTIÇA, A POLÍTICA E A UNIVERSIDADE…

(Artigo produzido em outubro de 2018, com fulcro na análise do acirrado cenário político pátrio, quando se digladiavam os então candidatos ao Palácio do Planalto: Jair Bolsonaro (PSL), Fernando Haddad (PT), Geraldo Alkmin (PSDB), Marina Silva (REDE), Ciro Gomes (PDT), Álvaro Dias (PODEMOS), João Amoêdo (NOVO), Guilherme Boulos (PSOL), Henrique Meirelles (MDB), Vera Lucia (PSTU), João Vicente Goulart (PPL), José Maria Eymael (DC), Cabo Daciolo (PATRIOTA). Do embate, saiu vitorioso o atual Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, por larga margem frente ao segundo colocado).

Por: Prof. Dr. Juan Y. Koffler A.

A propósito destes tempos destemperados em que ocorre uma verdadeira batalha campal animalesca (às raias do irracional) entre “esquerda versus direita” em razão da disputa eleitoral que visa a cadeira-mor da República (e sua larga lista de“penduricalhos inócuos” e benesses infinitas), voltam à baila as manipulações espúrias, apátridas e até criminosas que emergem de mentes insanas, alienadas, idiotizadas e ostensivamente ególatras. Afinal, está em jogo não exatamente o destino da nação (como os ingênuos poderiam crer), mas sim o futuro e as benesses desses “penduricalhos”, pouco ou nada importando qual será, doravante, o destino da pátria!

“Desde há quantos anos violam você esses senhores?” (Parece óbvio que a questão refere-se aos políticos!)

Detenhamo-nos um pouco e reflitamos sobre este primeiro parágrafo. E questionemo-nos: “Será que sempre foi assim o «modus vivendi» humano?” Tomemos como exemplo a Justiça (apenas uma das variáveis desta complexa equação humana, embora de alto poder de influência no modus vivendi social). Referindo-se ao binômio “legislação x justiça”, González Quirós[1], renomado filósofo espanhol contemporâneo, desenha em traços mais que compreensíveis o grande paradoxo do que conhecemos como “Justiça”:

“Seria necessária a sabedoria de Salomão, e um tempo infinito, para não tropeçar nalguma das pedras com as que a logorreia legislativa há ido semeando o caminho da Justiça. Não é sem motivo que a Justiça tenha fama de lenta [grifos no original], porém pese à sua prudência, chamemo-la assim, há legisladores empenhados em que role (se arraste) pelo chão em tantas ocasiões quantas seja conveniente aos altos interesses do palanque (grifos nossos).

Curioso e deveras emblemático, pois não? González Quirós ainda complementa sua análise com pontual e contundente realidade, aqui e alhures: “Rangem os esquemas do sistema financeiro enquanto levas de advogados de fortuna se lançam em busca da sua parte do butim”! Butim constituído de um tesouro abundante que reina na confusa escuridão da superabundância legislativa! Emblemático (repito propositadamente), grotesco e nauseabundo! Mas é ainda o autor em tela que, cauteloso, faz questão de complementar seu pensamento:

“Não é pouca coisa que haja disputa sobre quem terá que pagar um imposto, porém não se atribulem os beneméritos defensores da ordem, porque o que seria terrível é que restassem dúvidas acerca de que tenha que se pagar, porém não há risco, de momento, em que a bondade intrínseca daqueles que nos esvaziam os bolsos seja colocada em questão em sedes que vivem razoavelmente bem do que deriva desses despojos”.

Traduzindo ao bom e popular português, desconfiar da lisura dos nossos juízes e legisladores seria temerário considerando-se que, apesar desses “roubos”, ainda se consegue sobreviver. Noutros termos, há que se odiar o delito, mas compadecer-se do delinquente. Paradoxal e bizarra conclusão.

Pois bem. Nestes momentos de tensão político-social, vésperas das eleições presidenciais, alguns setores sociais usam e abusam das suas pretensas prerrogativas fazendo a própria Justiça curvar-se às suas desvairadas elocubrações (nada louváveis). Em recente e estardalhada notícia, a ativa e douta Raquel Dodge (Procuradora Geral da República) ingressou com pedido de liminar junto ao STF (Supremo Tribunal Federal) visando sua concessão no sentido de “suspender o ingresso de agentes públicos nas universidades e impedir buscas, apreensões e coleta irregular de depoimentos”[2]. Alega a insigne Procuradora que ditos agentes públicos, motivados por denúncias de potencial propaganda eleitoral irregular e com intuito de reprimi-las, praticaram atos que afrontam a Constituição, ensejando a justa medida de ajuizamento de Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) com pedido de Liminar a fim de garantir a liberdade de expressão, assim evitando lesão a instituições, independentemente de serem públicas ou privadas.

“Curiosamente” (sic), três dias antes (portanto, em 23 de outubro de 2018), a Justiça Eleitoral exarou decisões endereçadas à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e à Universidade Federal Fluminense (UFF) instando-as a abster-se de atos políticos, seja mediante material eleitoral ou qualquer outra atividade neste sentido (sublinhamos).[3]

A medida tinha razão de ser. Desde os idos da década de 1960 – apenas para marcarmos um horizonte mais próximo e emblemático – os educandários da pátria (lato sensu), seguindo uma deletéria tendência que se espalhava rapidamente por todo o continente, foram literalmente transformados em bunker’s de resistência comunista, verdadeiros antros de multiplicação das crescentes levas de “adoradores do marxismo” – mesmo que sequer conhecessem o que esta ideologia representava. Tal qual papagaios amestrados (sic), idiotizados, repetiam as surradas frases rezadas na cartilha marxista, pelas bocas asquerosas de homunculos como Fidel Castro, “Che” Guevara et caterva. Esta bizarra e destrutiva “contaminação maciça” alcançou, em pouco tempo, todos os rincões das três Américas, sedimentando-se principalmente nos estabelecimentos de ensino público (mas não apenas nestes), a partir do Segundo Grau.

Universidades e Centros Educativos: antros de proliferação da ideologia marxista…

Este subtítulo nada além representa que a fiel e legítima pecha fundamentadamente atribuída a todo e qualquer centro de ensino, independentemente do nível escolar que nele se desenvolva: a politização e ideologização dos acadêmicos que por ele transitam à procura do tão sonhado “relevante saber” que lhes permitirá (em tese, óbvio) ingressar posteriormente ao altamente competitivo mercado de trabalho. Nada mais falso (claro que com as parcas e honrosas exceções).

A partir dos anos ‘1960 e seguintes’  (aproximadamente e apenas com o fito de predefinir um marco temporal o mais acorde com a realidade), coincidindo com o expressivo desenvolvimento das ideologias ditas “de esquerda” motivadas pela revolução promovida na então paradisíaca ilha caribenha de Cuba e sob a batuta dos irmãos Castro e o celerado aventureiro argentino, Ernesto “Ché” Guevara, intensificaram-se as operações de controle mais rígido da expansão desse movimento hediondo que nada tem de “libertador” como seus mentores faziam questão de nominá-lo. 

Indiscutivelmente e por razões óbvias (o idioma espanhol preponderante, os índices educacionais baixos e até paupérrimos, dentre outras variáveis), a revolução cubana teve seu grande suporte advindo, em primeiro lugar, de Rússia (por afinidades ideológicas e, obviamente, estratégicas para esta última potência), exemplo seguido pelas nações que compõem os blocos central e sul do continente sul-americano. E muito embora a história registrada como “oficial” do que passou a ser conhecida como “revolução cubana” (o golpe de Estado revolucionário capitaneado por Fidel Castro e seu fiel escudeiro, Ernesto “Ché” Guevara, derrubando o então ditador Fulgêncio Batista) não passasse de uma ostensiva estratégia financiada e apoiada por sua patrocinadora (a nação russa), o correto seria entender tal “parceria” como uma grotesca e asquerosa intentona de sequestrar nosso continente e aqui estabelecer as bases  estratégicas para castigar, com maior eficiência e melhores resultados, os Estados Unidos da América do Norte. Mais: há por trás destas maquinações estratégicas a disputa do poder ideológico que, de certa forma, privilegiaria a supremacia comunista, em detrimento de todos os esforços que as Américas do Sul e Central vêm desenvolvendo a fim de inibir essas continuadas intentonas de imposição ideológica de corte marxista-leninista.

A cartilha marxista passou a ser, então, a “bíblia” das levas acadêmicas de segundo e terceiro graus, não poupando ninguém: ou o indivíduo se unia ao grupo majoritário de ensandecidos e alienados indivíduos, ou estaria firmando sua sentença de marginalização, de desterro e até de perseguição e morte. Simples assim. Em suma, a típica “sinuca de bico”: “se ficar o bicho pega, se correr o bicho come!”

Por qual(ais) razão(zões) o comunismo não vingou?

A queda do muro de Berlim (o muro da vergonha à época da chamada “Guerra Fria”) se deu em 9 de novembro de 1989; portanto, está às portas de completar seu trigésimo aniversário. Tal evento está diretamente conectado com o modelo político e econômico da URSS, que literalmente começou a colapsar nos idos de 1980, prenunciando graves e elevados prejuízos a essa nação comunista continental.

Quer se queira, quer não, o período seguinte à derrubada do famigerado muro berlinense enfraqueceu sobremaneira a outrora portentosa nação russa, desestabilizando ferozmente suas deletérias bases ideológicas marxistas-leninistas e forçando sua política interna a assumir outro rumo, desta feita com feições claras de uma sistemática político-social híbrida (uma espécie de “comunismo democrático”, despersonalizado; um grotesco arranjo capcioso que nem sua sociedade conseguiu assimilar, muito menos aprovar).

Isto remete a uma obrigatória reflexão sobre qual é a realidade e qual seria a ficção, ou vice-versa, como queira o leitor. Sim, porque, a nosso ver e sentir, o comunismo vem perdendo espaço a olhos vistos. Na prática, ressignifica a periclitância das ideologias ditas “de esquerda”, insustentáveis e, mais que isso, ameaçadoras para seus próprios seguidores. 

Há algumas respostas que são mais palatáveis à compreensão daqueles que não transitam costumeiramente por este complexo e intrincado tema das ideologias. Intentaremos, então, resumir com a melhor clareza possível.

Iniciemos afirmando que a sistemática comunista é melhor assimilada por aquelas camadas mais carentes e menos intelectualizadas da sociedade. O discurso comunista agrada àqueles que sentem-se excluídos das benesses que a riqueça farta traz às outras camadas que habitam o topo da pirâmide social. Alguns invejam os luxuosos automóveis que circulam pelas ruas e avenidas; outros sentem-se vexados quando olham para restaurantes finos, através das largas vitrines de blindex, onde fartas mesas de quitutes e custosas bebidas parecem tripudiar do humilde passante; outros ainda, defrontam-se nos corredores de hipermercados com carrinhos abarrotados de finos produtos de alimentação, bebidas e luxo, comparando-os com as próprias e minguadas compras; e muitos outros, então, em seus caminhos para o forçado labor diário a bordo de abarrotados e desconfortáveis ônibus, em plena madrugada, observam desiludidos as suntuosas mansões feericamente iluminadas, com seus monumentais jardins floridos. Parece claro e até compreensível que em suas mentes turvadas e apreensivas com as contas de final de mês (nem sempre acessíveis ao seu pagamento), instala-se em seus corações essa amarga sensação de impotência, de descrença e até de desespero com a “injustiça divina” – a mãe de todos os males terrenos”

O certo é que, dentre tantas explicações – da mais singela à mais estapafúrdia -, ergue-se uma constatação que parece resumir à perfeição a real realidade [5]: 

Esta mostra que os princípios do comunismo são, de fato, viáveis. “O único problema é que elas produzem economias super ineficientes, de tal forma que, embora as pessoas em um sistema comunista apoiem plenamente seus ideais, elas logo começam a se comportar de uma forma que mostra seu profundo anseio pelas liberdades do capitalismo”.

Eis uma realidade que não pode ser combatida com meras elucubrações vazias ou com discursos inflamados, típicos das agremiações de esquerda. Em realidade – e para concluir, pois o tema é extenso, vasto e complexo -, o que se entende por comunismo é apenas o que eu reputo de democracia unilateral disfarçada, ou seja, a clássica e surrada premissa que dita:

 “Aos amigos, a lei; aos inimigos, o rigor da lei!”

Esmiuçando o conceito ora citado e grifado, que encerra este breve ensaio,  o comunismo nada mais é que uma democracia parcializada e aplicável apenas àqueles que partilham do butim, que compõem o séquito supostamento etiquetado como “esquerda”, mas que praticam um insofismável capitalismo raivoso e sectário.

Reflitam, assimilem cuidadosamente todo o exposto e procedam a uma reflexão profunda, crítica e auto-crítica, e conseguirão visualizar a ostensiva falácia contida nessa mentirosa, asquerosa e criminosa seita de ególatras despersonalizados e apátridas a serviço de humanoides inescrupulosos e ditatoriais.  


[1] QUIRÓS, J. L. Gonzáles. La legislación contra la Justicia. In: “Disidentia”, 27 de octubre de 2018. Disponible en: https://goo.gl/MtNEJc. Acceso en: Octubre de 2018.

[2]VASCONCELOS, Frederico. Raquel Dodge pede ao STF para impedir ingresso de agentes nas universidades. In:UOL/Folha de São Paulo – Seção “Colunas e Blogs”, 27.out.2018. Disponível em: https://goo.gl/TWbiAV.Acesso em: 27.out.2018.

[3]PIMENTEL, Matheus. Atos políticos em universidades são cancelados. O que diz a lei. In: NEXO Jornal Digital –Coluna “Expresso”, 24.out.2018. Disponível em: https://goo.gl/RoSGvW.Acesso em: 27.out.2018.

[4] KOFFLER, J. O homem: esse projeto mal-acabado. Disponível em: https://www.monografias.com/pt/trabalhos3/homem-projeto-mal-acabado-shtml. Acesso em: Dezembro.2018.

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