Pilotar uma aeronave é difícil, imaginem se ela for do tamanho do Brasil… com 200 milhões de passageiros…

Imaginem, meus caros e caras, um Boeing 787-800 com quase 400 passageiros a bordo, uma larga equipe de bordo, voando a uma velocidade média de 900 km/h, com autonomia para mais de 15 mil km de distância (meia volta ao globo terrestre), com apenas um piloto-comandante (pode ter até dois e um engenheiro de voo). A cena imaginada por mim (piloto apaixonado) é esse vasto grupo de homens, mulheres, crianças, idosos, atendidos por uma equipe de excelência que serve os mais requintados quitutes, regados a custosos champanhas, assistindo confortavelmente a filmes ou curtindo música.

Repentinamente, um assustador solavanco, seguido de mais outro e outro ainda mais forte, desfazem, como se fumaça assoprada fosse, todo o encantamento, acordados que são por um frio e lacônico aviso de voz metálica e impessoal: “Senhoras e senhores, quem lhes fala é o comandante Koffler. Estamos enfrentando uma forte turbulência sem podermos ainda identificar seus motivos. Pedimos a todos que, por favor, retornem às suas poltronas, mantenham seus cintos afivelados, coloquem os encostos das poltronas em posição vertical, e aguardem novas informações. Obrigado pela atenção!”.

manifestações

Esta hipotética situação de altíssimo risco seria perfeitamente aplicável, ilustrativamente falando, à situação que vivemos não apenas em Brasil, mas em praticamente todo o continente (e em muitos outros cantos do planeta). A ação (ou omissão) dos governantes levaram a este status quo deprimente e assustador.

Imagino o comandante da aeronave sofrendo a pressão do fato fortuito, do impasse ante o desconhecido, do acumulo de questionamentos e consequentes checagens em seus painéis, buscando desesperadamente a detecção do fenômeno que levou a aeronave a, repentinamente e sem causa visível, desestabilizar e entrar em perigosa situação de alto risco. Sinceramente, não o invejo.

Bom, claro que nesse momento, o experiente comandante, aproveitando-se do voo de cruzeiro em rota prefixada e com todos os indicadores em ordem, aproveitou para “relaxar”com uma das stewardess e, irresponsavelmente, descuidou das suas tarefas. Algo não estava bem e, anteriormente, alguns indicadores sonoros e luminosos já o haviam alertado do “defeito”, logo desligando-se. Impunha-se, antes do relax, uma checagem completa de todas as funções da aeronave. Era mero defeito eletrônico dos alertas ou efetivamente havia algo que não estava funcionando adequadamente?

É deprimente e triste admitir, mas o Brasil e praticamente todo o continente estão emitindo sucessivos e ininterruptos sinais de alerta – e saliente-se: não é de hoje! – que apontam para uma potencial quebra do equilíbrio social, da estabilidade nacional e continental e – por que não? – também da mundial! Em meus alfarrábios escritos a partir de 1967 (“O homem: esse projeto mal-acabado”), venho alertando incansavelmente que todas as luzes de alerta do painel de navegação estão piscando e apitando tresloucadamente. Algo (muitos fatores) definitivamente não está funcionando bem!

O que mais me causa apreensão e ignomínia, no entanto, é a flagrante desatenção e criminoso comportamento dos nossos políticos governantes (em nível continental), pari passu com a normalidade festiva das sociedades! É como se vivêssemos no país e no continente e no planeta das mil maravilhas! Ou então, como se a felicidade verdadeira estivesse circunscrita a efêmeros momentos de insanos e alienados festerês!

Uma nação como a nossa, depauperada, destruída, desagregada, infestada pela marginália (oficial e oficiosa) – e assim também os nossos vizinhos continentais -, torra bilhões de dólares para dar “pão e circo” ao povo??? Copa do Mundo, Olimpíadas, Rock’in Rio, e tantos outros “atrativos” efêmeros e inócuos, que consomem bilhões e bilhões de recursos inexistentes, ou melhor, absolutamente necessários a outros setores verdadeiramente prioritários (sistema rodoviário, alimentação, SAÚDE, sistema previdenciário, justiça [injusta, lerda e falha!!!], habitação, mercado laboral, planejamento e transporte urbano e uma sucessão interminável e bizarra de etc.), são, em realidade, práticas antiquíssimas que HISTORICAMENTE motivaram a praticamente TODOS os que aspiraram governar por governar, por poder, por benesses, por mordomias!

Essa é a espécie humana. Criminosa, ocupante do espaço TOP da cadeia alimentar, destruidora (inclusive dos seus próprios familiares e do seu próprio meio-ambiente!), autofágica (paradoxo!), egoísta, invejosa, repugnante, criminosa, fratricida, matricida, patricida!

O comandante da aeronave, entretido em seu relax, não observa que a compressão das turbinas vinham decaindo rapidamente. Os sinais retumbavam pela cabine de pilotagem. A aeronave começou a adernar bruscamente (como se não houvesse ninguém na cabine de comando), perdendo altitude até o forte sinal de stoll avisar que, doravante, só um milagre para salvar a aeronave e todos os seus ocupantes. O estrondo contra o oceano foi seco, bizarro, pedaços da aeronave voando em todas as direções, corpos sendo lançados ao mar destruídos ou semi-destruídos e logo… o silêncio pacificador… aquele que identifica o repousante sono final desta nossa espécie bizarra e imerecedora de sobreviver!

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